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18/03/2008 - 10h54
Al-Maliki diz que Iraque esteve à beira de uma guerra civil

Bagdá, 18 mar (EFE).- O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, reconheceu hoje que seu país esteve à beira de uma guerra civil, mas os esforços para conseguir a reconciliação nacional conseguiram eliminar esse risco.

Durante a abertura de uma conferência de reconciliação nacional em Bagdá, al-Maliki pediu aos iraquianos para se unirem e enfrentarem os desafios e anunciou que 98 mil militares do antigo Exército iraquiano, sob o comando de Saddam Hussein, se integraram às novas Forças Armadas como mostra desse espírito.

"Os esforços pela reconciliação evitaram uma guerra civil da qual estivemos muito perto após o ataque ao mausoléu santo (xiita) de Samarra", disse o primeiro-ministro se referindo ao bombardeio em fevereiro de 2006 desse templo, que gerou a violência religiosa que o país vem sofrendo desde então.

"Deixamos esta guerra sectária para trás graças a nosso trabalho pela reconciliação, que também conseguiu que as famílias deslocadas voltassem a suas casas, assim como o retorno dos refugiados que estavam no exterior", acrescentou.

Al-Maliki disse que 98 mil militares do Exército dissolvido em 2003 pelo chefe da Autoridade Provisória da Coalizão, o americano Paul Bremer, voltaram às filas e que os trabalhos para construir Forças Armadas fortes e não sectárias continuam.

O premiê iraquiano elogiou os Sahwa (Conselhos de Salvação, milícias sunitas que combatem a Al Qaeda) e lembrou que esses grupos têm apoio financeiro e material de seu Governo.

Al-Maliki explicou que foram criados 37 Conselhos de Salvação aos que devem se somar 13 Conselhos de Apoio, milícias similares aos Sahwa e às quais foram integrados 35 mil ex-membros da Al Qaeda.

Apesar das palavras de al-Maliki, a conferência convocada por ele, realizada na Zona Verde de Bagdá, sofre o boicote de algumas facções e partidos como a Frente do Acordo Iraquiano e a Frente pelo Diálogo Nacional (ambos sunitas) e a Lista Nacional Iraquiana (xiita).

Esses partidos disseram que a conferência, a segunda organizada por al-Maliki dentro do Iraque, é "propaganda de um Governo fracassado e uma operação cosmética".

Também culpam o primeiro-ministro de não ter conseguido a assistência de outras partes influentes, como a poderosa Associação dos Ulemás Muçulmanos (AUM).



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