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07/04/2008 - 10h06
OMS diz que mudança climática pode expor 2 bilhões à dengue até 2080

Marta Hurtado
Em Genebra

Em relatório divulgado hoje por ocasião do Dia Internacional da Saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que a mudança climática pode aumentar para dois bilhões o número de pessoas expostas à dengue até o ano de 2080.

O Estado de São Paulo teve no primeiro trimestre deste ano ao menos 402 casos a mais de dengue do que o número divulgado pelo governo.

Os dados são de um levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo em 164 dos 645 municípios paulistas. Segundo a apuração, o número total de casos de dengue é ao menos 30,99% maior que os 1.297 notificados pelo Estado.

São Paulo teve confirmada, na semana passada, a primeira morte por dengue no ano. A vítima era uma garota de 18 anos que morreu em fevereiro último por complicações da dengue, em Praia Grande (86 km ao sul de São Paulo, no litoral).
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Segundo a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, a pandemia de dengue que atinge a América do Sul não se deve única e exclusivamente à mudança climática, mas o aumento das temperaturas ajudou muito a expansão da doença.

"Os efeitos da mudança climática já podem ser percebidos. É necessária uma ação urgente para minimizar seus efeitos, não é especulação, mas uma realidade", declarou hoje em entrevista coletiva Margaret Chan.

A diretora-geral afirmou que a mudança climática é "uma ameaça direta à saúde", uma vez que as conseqüências do aquecimento global "podem afetar alguns dos elementos mais importantes para a saúde, como o ar, a água, os alimentos, um teto para se abrigar e a ausência de enfermidades".

Para Chan o ser humano já está exposto a doenças que sofrem significativa influência do clima e que causam milhões de mortes por ano.

Como exemplo citou a desnutrição - responsável por mais de 3,5 milhões de mortes por ano -, as doenças relacionadas à diarréia - que matam mais de 1,8 milhão - e a malária - causadora de mais de um milhão de mortes por ano. "Com a mudança climática esta situação vai piorar", declarou a diretora-geral.

Segundo ela, os efeitos nocivos da mudança climática já podem ser comprovados em recentes catástrofes, como a onda de calor na Europa em 2003 que matou 70 mil pessoas, o furacão Katrina - nos EUA -, a epidemia de malária na África Oriental agravada pelo aumento da temperatura e a pandemia de cólera em Bangladesh após as grandes inundações. "Há muito a fazer hoje para evitar que estas situações se repitam", declarou Chan.

As doenças causadas pelos mosquitos e outros agentes transmissores causam anualmente mais de um milhão de mortes e as doenças ligadas à diarréia mais 1,8 milhão.

Segundo o relatório, atualmente a poluição do ar causa 800 mil mortes por ano.

As estimativas citadas pela OMS dizem que, caso a temperatura global aumente 1 grau centígrado, poderia haver 20 mil mortes anuais a mais por causa de doenças cardiorrespiratórias.

Por isto os membros da agência da ONU consideram que esta é a hora de se estudar profundamente as conseqüências que o aquecimento global pode ter para poder atuar imediatamente.

"Precisamos conhecer a magnitude do problema para melhor entender o tema, identificar os buracos negros e desenvolver programas para tapá-los", afirmou o diretor-geral adjunto da entidade, David Heymann.

A OMS e seus associados - o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a Organização Meteorológica Mundial - estão desenvolvendo um plano de trabalho e uma agenda para elaborar estimativas melhores sobre o tamanho e a vulnerabilidade da saúde humana.

Quando estiver com todas as informações, serão elaboradas estratégias e instrumentos para ajudar os Governos a implementar programas de planejamento e contingência.



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