Cristina Cabrejas
Nova York, 19 abr (EFE).- O papa Bento XVI disse hoje, no festivo
e espontâneo encontro com cerca de 20.000 jovens no seminário de St.
Joseph, em Nova York, que sua adolescência foi "arruinada por um
regime funesto", em referência ao nazismo.
Bento XVI afirmou hoje aos jovens que seus anos de adolescência
foram arruinados por "um regime funesto, que pensava que tinha todas
as respostas".
"Seu influxo cresceu, se infiltrando nas escolas e nos organismos
civis, assim como na política e inclusive na religião, antes que
pudesse se perceber que era um monstro", disse.
O papa tinha naquela época 17 anos, e nos últimos meses da
Segunda Guerra Mundial (1942-1945) foi chamado para os serviços
auxiliares antiaéreos do Exército alemão.
Bento XVI disse aos jovens que agora muitos deles podem
aproveitar a liberdade que surgiu graças à expansão da democracia e
do respeito aos direitos humanos.
No entanto, advertiu, que "o poder destruidor permanece. Dizer o
contrário será enganar a si mesmo", mas acrescentou que "este jamais
triunfará".
A cerimônia, que aconteceu na esplanada diante do Seminário de
St. Joseph, esteve caracterizada pela espontaneidade e o entusiasmo
dos jovens, que não deixaram de cantar e de gritar "viva ao papa"
durante todo o ato.
O entusiasmo dos jovens contagiou o papa, que chegou a quebrar o
protocolo deste tipo de cerimônia para se levantar e beijar cada um
dos jovens que discursaram.
Os jovens ofereceram ao papa vários tipos de pão, milho, arroz,
símbolos da "riqueza das culturas e tradições" representadas nos
Estados Unidos.
Bento XVI também falou dos problemas da juventude, "como o abuso
das drogas, a falta de casa e a pobreza, o racismo e a violência, e
a degradação que sofrem, principalmente, muitas mulheres".
Afirmou que todos estes problemas são produto de "uma atitude
mental envenenada, que se manifesta em tratar as pessoas como meros
objetos".
Além disso, advertiu que o mundo suporta o peso "da avidez
consumista e da exploração irresponsável", e os convidou a "rejeitar
qualquer tentação de ostentação ou de vaidade, e a viver com
caridade, castidade e humildade"
A cerimônia concluiu com a Ave Maria de Franz Schubert,
interpretada pela cantora americana Kelly Clarkson, de 25 anos.