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16/05/2008 - 07h57
Economia do Japão cresce 3,3% no primeiro trimestre
Isabel Conde
Tóquio, 16 mai (EFE) - A economia japonesa cresceu entre janeiro
e março a um ritmo de 3,3% ao ano, sete décimos acima das previsões,
apesar da instabilidade financeira global dos últimos meses.
No ano fiscal de 2007, que terminou em 31 de março, o Produto
Interno Bruto (PIB) da segunda maior economia do mundo aumentou 1,5%
em termos reais, o que significa o sexto ano consecutivo de expansão
econômica no Japão.
No primeiro trimestre de 2008, as previsões do mercado indicavam
um crescimento de 2,6%, mas o PIB foi impulsionado pelas exportações
para a Ásia e aos mercados emergentes e pelo consumo interno, disse
hoje em entrevista coletiva a ministra de Economia japonesa, Hiroko
Ota.
De fato, as vendas de bens japoneses no exterior cresceram pelo
12º mês consecutivo, até 4,5%, enquanto as importações subiram 2%.
Os produtos que mais foram importados, segundo o ministério,
foram petróleo e gás natural. Já no caso das exportações, os setores
automobilístico e de metais não ferrosos se beneficiaram do aumento
da demanda de economias emergentes, como China ou Rússia.
As previsões indicam ainda que esses mercados ricos em recursos
naturais vão ser fundamentais no crescimento futuro da economia
japonesa.
No entanto, alguns analistas não descartam que o Japão caia em
breve em recessão e dão por certo que está perto do fim o período de
expansão que vivencia desde fevereiro de 2002, o mais longo desde
que terminou a Segunda Guerra Mundial, em 1945.
"Temos que ser cautelosos sobre o futuro, porque o número do
gasto de capital foi negativo", disse Ota.
Durante o primeiro trimestre de 2008, a despesa de capital caiu
0,9%, enquanto o investimento em bens imóveis cresceu 4,6%, acima do
esperado.
Nesse período, o consumo interno, que representa 55% do PIB
japonês, aumentou 0,8% em termos reais, impulsionado principalmente
pela despesa dos lares e a construção, segundo o relatório divulgado
hoje.
Os japoneses viajaram mais e gastaram mais em hotéis e, por outro
lado, o forte inverno fez com que os consumidores gastassem mais em
eletricidade para a calefação, segundo fontes governamentais citadas
pela agência de notícias "Kyodo".
O futuro se apresenta também pouco animador para muitas das
grandes empresas japonesas, que publicam durante este mês seus
resultados financeiros do ano fiscal 2007 e prevêem grandes reduções
de seu lucro líquido para o atual período.
Por exemplo, a Toyota Motors, maior fabricante mundial de
automóveis e a principal companhia do Japão, previu na semana
passada a primeira queda em sete anos de seu lucro líquido para o
ano fiscal 2008, motivada principalmente pelo crescente aumento dos
preços do petróleo e do aço.
Com relação ao trimestre anterior, o PIB japonês cresceu 0,8%
entre janeiro e março, novamente um resultado superior às previsões
que indicavam uma expansão da economia japonesa para esse período de
0,6%.
Em termos nominais, que não ajustam as mudanças nos preços, o PIB
foi de 0,4% entre janeiro e março com relação ao mesmo período do
ano anterior, o que equivale a 1,5% anualizado.
A economia japonesa cresceu pelo terceiro trimestre consecutivo,
mas o mau comportamento de outros indicadores começam a causar
preocupação em relação a uma possível desaceleração econômica.
Hoje mesmo, o Governo japonês revisou ainda mais em baixa a
produção industrial de março, quando caiu 3,4%, na maior diminuição
desde janeiro de 2003, e os pedidos de maquinaria, um dos
indicadores econômicos importantes, baixou 8%, até US$ 9,1 bilhões.

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