Riad, 16 mai (EFE) - O presidente dos Estados Unidos, George W.
Bush, chegou hoje a Riad na segunda visita ao país desde janeiro,
onde deve buscar um maior apoio saudita contra o extremismo no
Oriente Médio, a crescente influência do Irã e a alta dos preços do
petróleo.
Segundo fontes sauditas, as crises no Líbano e no Iraque e o
andamento das negociações palestino-israelenses ocuparão também um
lugar de destaque na agenda das conversas de Bush com o rei saudita,
Abdullah bin Abdul Aziz.
Durante a estadia de um dia de Bush em Riad, os dois países devem
assinar um acordo de cooperação para o uso pacífico da tecnologia
nuclear.
O presidente americano foi recebido no aeroporto da capital
saudita pelo rei Abdullah e pelo emir de Riad, príncipe Salman,
entre outras altas autoridades sauditas, que lhe acompanharão ao
sítio do soberano saudita em Al Janadriya para um almoço.
No local, os dois líderes devem celebrar o 75º aniversário das
relações entre Estados Unidos e o reino wahhabista, um importante
aliado político e econômico árabe de Washington e o maior produtor e
exportador de petróleo do mundo.
Comentaristas e diplomatas em Riad destacam que o soberano
saudita comunicará a Bush a preocupação saudita pelo lento processo
de negociação entre palestinos e israelenses, e pela situação
humanitária em Gaza, devido ao bloqueio imposto por Israel sobre
essa faixa palestina.
Riad considera que o bloqueio sobre Gaza, a falta de um avanço
tangível no processo de paz e a construção de assentamentos judaicos
na Cisjordânia dificultam o processo de paz e dão pretexto ao Irã e
aos grupos extremistas, como o libanês Hisbolá e o palestino Hamas,
para ganhar popularidade na região árabe.
Os EUA e a Arábia Saudita coincidem, enquanto isso, na
necessidade de apoiar o Governo do primeiro-ministro libanês, o
sunita Fouad Siniora, contra a milícia xiita pró-iraniana Hisbolá,
assim como contra a crescente influência do Irã no Líbano e Iraque.
No entanto, os comentaristas descartam que Riad respalde uma ação
militar contra Teerã por suas atividades nucleares, já que
prejudicaria as economias das ricas monarquias árabes petrolíferas
do Golfo Pérsico.
Em relação à alta dos preços do petróleo, Arábia Saudita e outros
importantes membros da Organização dos Países Exportadores de
Petróleo (Opep) reiteraram nas últimas semanas que não pensam em
realizar uma reunião do cartel para estudar a situação no mercado
antes de setembro.
Os membros da organização acreditam que a alta nos preços do
petróleo se deve ao enfraquecimento do dólar e a questões políticas,
e que as atuais provisões são suficientes.
Os preços do petróleo alcançaram os US$ 125 o barril (159
litros), US$ 30 a mais que durante a primeira visita de Bush em
Riad, aumentando a pressão sobre a economia americana.
A Arábia Saudita possui aproximadamente um quarto dos recursos
petroleiros do mundo e os especialistas cifram em US$ 46 bilhões o
volume de suas trocas comerciais com os EUA.
Bush, que iniciou na quarta-feira em Israel sua viagem pelo
Oriente Médio, deve ir amanhã ao Egito.