Genebra, 16 mai (EFE) - A Federação Internacional das Sociedades
da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho fez hoje um apelo para
obter 32,7 milhões de euros destinados a ajudar nos próximos três
anos os 500 mil desabrigados pelo ciclone "Nargis" em Mianmar.
"O ciclone foi um desastre monumental e, agora, enfrentamos uma
catástrofe humana de proporções apavorantes", disse hoje em
entrevista coletiva o secretário-geral da Federação Internacional,
Markku Niskala.
Em 6 de maio, a entidade fez um pedido preliminar e de emergência
no valor de 3,86 milhões de euros.
O diretor do departamento de Programas e Coordenação da Federação
Internacional, Thomas Gurtner, disse que o apelo se baseia em dados
atuais e ressaltou que tanto as vítimas quanto a duração da ajuda
podem variar.
Segundo as estimativas da instituição, há pelo menos dois milhões
de afetados, a maioria dos quais não conta com refúgio, nem acesso a
alimentos nem água potável.
Até o momento, a instituição pôde atender a 100 mil pessoas,
principalmente no que se refere a alojamento e distribuição de água
potável.
Segundo os cálculos da ONU, reafirmados pelos especialistas da
Cruz Vermelha, até o momento só entre 15% e 20% dos desabrigados
puderam obter ajuda.
No terreno trabalham 21 estrangeiros e mais de 26 mil voluntários
da Cruz Vermelha birmanesa, "uma ajuda inestimável", definiu
Niskala.
O secretário-geral destacou o apoio destes voluntários e da rede
estabelecida pela Cruz Vermelha Birmanesa para explicar o porquê das
aparentes poucas dificuldades encontradas pela instituição, ao
contrário de outros organismos internacionais.
"Estamos trabalhando com a sociedade nacional birmanesa, até
agora estamos satisfeitos e não podemos nos queixar", afirmou
Niskala, em alusão aos obstáculos que a Junta Militar Birmanesa está
colocando na distribuição de ajuda e à entrada ao país pessoal
estrangeiro.
No entanto, uma autoridade da Cruz Vermelha negocia em Yangun com
os militares a entrada de mais estrangeiros em Mianmar.
Até 14 de maio, aterrissaram em Yangun 16 aviões da entidade, e
outros cinco devem chegar hoje.
Niskala explicou que gostaria de poder fretar mais aviões, mas
que as condições, tamanho e restrições do aeroporto impossibilitam
isso.
Por enquanto, foram distribuídas 180 toneladas de ajuda e se
espera que em breve este número chegue a 240 toneladas.
O mais importante, segundo os responsáveis da Cruz Vermelha, é
garantir o acesso à água potável, aos alimentos e ao refúgio dos
desabrigados.
A instituição tem preparados 30 mil equipes de refúgio, dos quais
só pôde distribuir 500 devido ao peso e às dificuldades do
transporte.
Em relação às chuvas que caem de novo na região, a Cruz Vermelha
se mostrou prudente, mas reconhece que a situação pode piorar.
Os responsáveis da Cruz Vermelha destacaram a necessidade de
aprender com o desastre, e tentar que os birmaneses possam conhecer
e imitar o sistema de alarme e de refúgios de emergência como os que
conta Bangladesh, que contribuíram para reduzir consideravelmente o
número de vítimas em fatos similares.