Lima, 16 mai (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
disse hoje que não voltará a falar com seu colega colombiano, Álvaro
Uribe, porque para fazê-lo "teria que descer a um pântano".
"O único problema que temos na América do Sul neste nível é
Uribe", declarou Chávez, referindo-se ao fato de que os demais
países da América Latina possuem a mesma visão ideológica,
predominante de esquerda.
"Todos somos da mesma irmandade, Lula, Tabaré (Vázquez) - que não
pôde vir, Cristina (Kirchner), Michelle (Bachelet), (Rafael) Correa,
Chávez, o único problema, o que não enquadra nisso é Uribe",
comentou durante um recesso da 5ª Cúpula América-Latina-Caribe-União
Européia (LAC-EU, na sigla em inglês) em Lima.
"Não tenho esperança de que este Governo da Colômbia se
recapacitará", confessou o governante venezuelano, que afirmou que a
"Colômbia nasceu no Orinoco".
Chávez aumentou o distanciamento com seu colega da Colômbia, ao
confessar que teve que respirar fundo para dar a mão a Uribe ao
concluir a Cúpula do Grupo do Rio no dia 7 de março passado na
República Dominicana.
Naquela ocasião, o presidente equatoriano, Rafael Correa, aceitou
as desculpas de Uribe e com um aperto de mãos deram por liquidado o
conflito diplomático iniciado na semana anterior e que envolvia
também os líderes da Venezuela e da Nicarágua.
A paz entre Uribe e Correa se reafirmou com um abraço entre os
dois e outro aperto de mãos com o nicaragüense Daniel Ortega, que
anunciou que restabeleceria as relações diplomáticas com Bogotá.
As declarações feitas hoje por Chávez contra Uribe contrastam com
os gestos de reconciliação do presidente da Venezuela com a
chanceler alemã, Ángela Merkel, a quem dias atrás acusou de
pertencer à direita alemã que apoiou Hitler.
Hugo Chávez também aproveitou a Cúpula América Latina-UE para
reconciliar-se com o chefe do Executivo espanhol, José Luis
Rodríguez Zapatero, depois do incidente na Cúpula Ibero-Americana
realizada em Santiago do Chile em novembro passado.
Nessa ocasião, o rei Juan Carlos da Espanha perdeu a paciência
perante os ataques do governante venezuelano contra o ex-chefe do
Executivo espanhol José María Aznar e lhe interrompeu, com a frase:
"Por que não te calas?!".