Lima, 16 mai (EFE).- As medidas para proteger o meio ambiente e
frear a mudança climática fracassarão se não forem vinculadas às
políticas econômicas e sociais dos países, afirmaram hoje os
participantes da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia
(EU-LAC, na sigla em inglês).
Esta é a principal conclusão das quatro mesas de trabalho que
discutiram sobre "desenvolvimento sustentável, meio ambiente,
mudança climática e energia" durante o encontro.
O debate incidiu no fato de que tanto para a Europa como para a
América Latina a prosperidade e crescimento econômico a longo prazo
precisam garantir o desenvolvimento sustentável, que inclui a
proteção do meio ambiente e a gestão equilibrada dos recursos
naturais.
Os líderes reunidos em Lima conheceram duas propostas concretas
para vincular o combate à pobreza e à desigualdade com o
desenvolvimento sustentável, a preservação do meio ambiente e a luta
contra a mudança climática.
Uma delas, apresentada pelo Peru, é a criação de um fundo
internacional financiado por um imposto sobre combustíveis fósseis,
enquanto o México propôs um "fundo verde" com recursos para os
países pobres que cumpram os compromissos ambientais.
A América Latina e o Caribe, onde estão vários dos países com
maior disponibilidade de água doce e biodiversidade do planeta,
apresentam uma alta vulnerabilidade perante a mudança climática.
O aumento da intensidade e freqüência dos furacões no Caribe, as
mudanças nos padrões de chuvas, o aumento dos níveis dos rios no
Brasil e na Argentina, e a redução das geleiras na Patagônia e nos
Andes são fenômenos que indicam o impacto do aquecimento global na
região.
A Europa também não está livre das conseqüências da mudança
climática. A temperatura média no continente aumentou em quase 1
grau centígrado nos últimos 100 anos, e os cientistas acreditam que
subirá ainda entre 2 e 6,3 graus até o ano 2100.
Segundo os especialistas, de agora até 2071, a cada dois verões
haverá um tão quente como o de 2003, no qual 22 mil pessoas morreram
na Europa por causa do calor.
Por isso, os presidentes reunidos em Lima insistiram na
necessidade de dar uma maior ênfase aos temas ambientais no momento
de consolidar a associação estratégica entre as duas regiões.
Os representantes europeus explicaram a seus colegas
latino-americanos o compromisso adotado em 2007 pelos 27
Estados-membros de conseguir uma redução de 20% das emissões de
dióxido de carbono (CO2) para 2020, em comparação com os níveis de
1990.
A luta contra a mudança climática é um desafio em nível global
que vai além de ideologias e sistemas políticos, e suas
conseqüências negativas terão um forte impacto nas economias das
duas regiões, mas especialmente nas mais vulneráveis, disseram hoje
em Lima.
A América Latina tem pouca responsabilidade nas emissões de gases
que provocam o efeito estufa, com 4,3% do total mundial, muito
abaixo dos quase 25% emitidos pelos Estados Unidos. No entanto, a
região possui taxas muito altas de desmatamento, o que também
contribui para o aquecimento global.
Na medida em que intensifiquem seu diálogo, os países da América
Latina e da UE poderão se transformar em uma força líder para
proteger o meio ambiente.
Em matéria de energia, os dois blocos constataram que existe
convergência em desafios comuns, como a necessidade de manter o
crescimento econômico e, ao mesmo tempo, estabilizar ou até mesmo
reduzir o uso da energia.
Também destacaram que as energias renováveis e a eficiência
energética são elementos fundamentais na luta contra mudança
climática, e formularam a intenção de realizar na Áustria uma
conferência sobre desenvolvimento e energias renováveis que dê
seguimento aos debates abertos nesta cúpula.
Os presidentes analisaram também a relação entre a produção de
biocombustíveis e os alimentos, e disseram que é necessário adotar
normas para garantir que sua produção não ponha em risco os recursos
naturais e a segurança alimentar.