Lima, 16 mai (EFE).- O presidente do Peru, Alan García, propôs
hoje em seu discurso na 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União
Européia (EU-LAC, na sigla em inglês) o fim da "loucura da carreira
armamentista", o que poderia destinar fundos a programas de combate
à pobreza.
"Há ainda muito ódio, rivalidade, muita concorrência, e por isso
existe tanta compra de armas", afirmou governante peruano.
"Em 2007, os países aqui reunidos compraram US$ 40 bilhões em
armas novas, dinheiro que serviria para ajudar 80 milhões de
famílias pobres com um auxílio mensal de US$ 50 para atenuar um
pouco sua dor e sua pobreza", acrescentou.
García disse ainda que a corrida armamentista impede os países de
discutirem com "autoridade moral" a luta contra pobreza.
"Com que autoridade moral poderíamos continuar discursando contra
a pobreza e a dor se não colocamos um ponto final à loucura da
corrida armamentista, se não resolvemos nossos conflitos e nossos
problemas, que sempre são pequenos, de maneira pacífica e jurídica,
em vez de nos armarmos e vendermos armas os uns aos outros?",
questionou o governante peruano.
García comentou ainda a possível criação de um Conselho
Sul-Americano de Defesa, e disse que os países da região devem parar
de negociar armamentos.
"Antes de criar o Conselho, temos de fazer seus participantes
deixar de vender e comprar armas. Só assim teremos autoridade para
discutir", afirmou.
"E isso começará quando deixarmos de agitar nossas diferenças e
rancores, e iniciarmos o caminho da paz verdadeira e do espírito
aberto", disse.
O governante afirmou ainda que a Cúpula América Latina-UE
aconteceu sob os princípios de "união e compromisso", e disse que a
declaração final "expressa de maneira pontual todo um compromisso de
erradicação da pobreza".