Lima, 16 mai (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, e o
líder da oposição peruana, Ollanta Humala, encerraram hoje a 3ª
Cúpula dos Povos, realizada em Lima, com discursos contra o novo
colonialismo e os Tratados de Livre-Comércio.
Cercadas por fortes medidas de segurança, milhares de pessoas
aguardaram durante horas pela chegada dos dirigentes ao centro da
capital peruana.
Este festivo encontro, que contou com a apresentação de vários
grupos musicais latino-americanos, foi o ponto final de vários dias
de debates, festejos e atos políticos na Universidade Nacional de
Engenharia (UNI), sede desta cúpula alternativa.
Este encontro aconteceu em paralelo à 5ª Cúpula América
Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês), também
realizada em Lima.
Em seu discurso, Morales afirmou que "só haverá justiça quando o
modelo neoliberal e capitalista for liquidado", ao considerar que
essa é "a única forma de acabar com a pobreza".
O governante boliviano rejeitou a privatização dos serviços
básicos, que qualificou de "direitos humanos", e pediu aos Governos
"que não defendam as empresas que vendem estes serviços".
"Os presidentes podem negociar muitas coisas, mas não podem
negociar o saque de nossos recursos naturais", insistiu Morales.
"Quando cheguei ao Governo, não faltaram pessoas que afirmavam
que 'este índio não resistiria por muito tempo'. Mas, depois de um
ano, esses inimigos, que são o colonialismo interno e externo,
precisam fazer algo para me tirar do poder", disse.
"Essas pessoas não querem perder seus privilégios e acreditam que
é possível derrubar o 'índio'. Eles podem até conseguir isso, mas
jamais conseguirão derrubar o povo", acrescentou.
Humala disse que "existem duas Américas, mas os europeus não
percebem isso porque há um problema de culturas".
"Se os europeus nos conhecessem mais veriam que o Peru não quer
um Tratado de Livre-Comércio, mas um comércio justo", disse o líder
opositor, que exigiu ainda o estabelecimento de "uma nova
democracia".
Sobre a delicada situação vivida pela Bolívia, Humala afirmou que
Morales "vencerá o processo revogatório e sairá fortalecido dessa
situação", em alusão ao plebiscito de legitimidade que o dirigente
boliviano enfrentará no dia 10 de agosto.