Paris, 16 jul (EFE).- O ex-banqueiro Salvatore Cacciola,
solicitado pelo Brasil por fraude financeira e desvio de dinheiro
público, saiu hoje de Mônaco com destino ao Rio de Janeiro após sua
extradição, informou à Agência Efe o advogado dele, Franck Michel.
Cacciola, detido em setembro do ano passado, deixou o principado
de helicóptero, entre as 7h30 e 10h de Brasília de hoje, a caminho
do aeroporto de Nice (sudeste francês), onde devia pegar um vôo com
destino a Paris e depois outro para o Rio de Janeiro, acrescentou o
advogado em conversa por telefone.
No heliporto de Mônaco, Cacciola era acompanhado de dois agentes
brasileiros da Interpol, disse Franck Michel, que estava com seu
cliente naquele momento e pretende viajar em setembro ao Brasil para
continuar a defesa do ex-banqueiro.
No último dia 8, depois que o príncipe Albert de Mônaco deu o
sinal verde para sua entrega ao Brasil, Cacciola recorreu do
processo de extradição ao Comitê contra a Tortura da ONU.
O banqueiro foi processado e condenado à revelia em seu país a 13
anos de prisão, por ter causado ao Estado brasileiro, em 1999,
perdas equivalentes a cerca de US$ 1,2 bilhão da época.
O advogado de Cacciola ressaltou que o príncipe Albert de Mônaco
permitiu a extradição com "a condição de que as autoridades
brasileiras se comprometessem a dar a seu cliente a possibilidade de
julgar sua apelação" contra a condenação a 13 anos de prisão do dia
31 de março de 2005.
Segundo a Justiça brasileira, os bancos Marka e FonteCidam,
propriedade de Cacciola, receberam em 1999, após a imprevista
desvalorização da moeda nacional, um apoio irregular de R$ 1,6
bilhão procedente do Banco Central.
Segundo o advogado, a extradição concedida é "parcial", pois
concerne só a "uma parte dos fatos" e foi estipulada por Mônaco a
condição também de "que não possa ser julgado ou perseguido por
outros fatos".
Sobre Cacciola pesam duas ordens de detenção, uma do ano 2000, em
relação à condenação que apelou em 2005, e outra de 2007, mas,
segundo Michel, "o príncipe de Mônaco rejeitou a de 2007" e por isso
ele não poderá ser julgado por isso no Brasil.
Nascido em 1944 em Milão, Cacciola fugiu do Brasil em 2000 e se
refugiou em sua cidade natal até ser detido em 15 de setembro em um
hotel do Principado de Mônaco, cujas autoridades receberam em
outubro passado sua reivindicação de extradição.