Cairo, 20 jul (EFE).- O secretário-geral da Liga Árabe, Amre
Moussa, viaja hoje a Cartum para explicar aos responsáveis sudaneses
o plano adotado ontem pela organização para enfrentar a acusação de
genocídio contra o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir.
O anúncio foi feito em comunicado divulgado durante a noite pela
Liga Árabe, após uma reunião extraordinária dos ministros de
Exteriores do grupo, que foi solicitada pelo Governo sudanês.
A nota adverte para "os perigosos efeitos que terá sobre o
processo de paz no Sudão" o pedido de detenção apresentado na
segunda-feira passada pelo procurador-geral do Tribunal Penal
Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, contra Bashir, após
acusá-lo de crimes de guerra região de Darfur, no oeste do Sudão.
Os chefes da diplomacia árabe destacaram o profissionalismo, a
independência e a capacidade dos tribunais sudaneses ao aplicar a
justiça.
Nesse contexto, rejeitam "toda tentativa de politizar os
princípios da justiça internacional para usá-la em menosprezo da
soberania, da unidade e da estabilidade dos países".
Por último, pedem a Moussa que prossiga com seus contatos com a
ONU e a União Africana para garantir uma mobilização comum com o
objetivo de conseguir a paz e a reconciliação em Darfur.
É a primeira vez que o presidente de um país membro da Liga Árabe
questiona as acusações do TPI, ao qual o Sudão preferiu não se
integrar.
O conflito de Darfur começou em janeiro de 2003, quando dois
grupos armados se rebelaram contra o Governo pela situação de
pobreza na qual se encontrava imersa esta região.
Desde então, pelo menos 300 mil pessoas morreram e 2,5 milhão
foram forçadas a abandonar seus lares, segundo a ONU.