Santiago de Cuba (Cuba), 26 jul (EFE).- O general Raúl Castro
preside este sábado a maior festa de Cuba - o aniversário do assalto
ao quartel Moncada - pela primeira vez como chefe de Estado titular
e dois anos após seu irmão Fidel aparecer pela última vez em
público, durante a mesma celebração.
Os festejos acontecem este ano em Santiago de Cuba, no sudeste da
ilha, no meio da semana do carnaval e entre expectativas por
possíveis anúncios de Raúl Castro sobre o futuro do país.
A imprensa oficial informou hoje que cerca de dez mil pessoas
assistirão ao ato, convocado para as 19h (20h, em Brasília), além da
cúpula do Governo e do Partido Comunista (PCC), que será
retransmitido pelas cadeias nacionais de rádio e televisão.
O general já presidiu em 2007 os atos do 26 de julho, mas então
como chefe de Estado interino, e naquela ocasião admitiu que Cuba
necessitava de mudanças estruturais.
Nos últimos meses o país suspendeu proibições à venda de
computadores, telefones celulares, motocicletas elétricas, panelas
elétricas de arroz, televisores, entre outros artigos. Além disso,
agora também é permitido que os cubanos se hospedem nos hotéis antes
reservados aos turistas estrangeiros.
As principais mudanças se referem ao campo. Elas têm como
objetivo revitalizar a produção agropecuária em uma ilha que tem
mais de 50% de suas terras cultiváveis ociosas.
Cuba gastará este ano cerca de US$ 2 bilhões na importação de
alimentos, o que representam mais de 80% do que o país entrega à
população a preços subvencionados como parte da cesta básica.
Terras abandonadas ou subaproveitadas serão entregues aos
camponeses particulares. Já as cooperativas terão facilitados abonos
e ferramentas, mas sem renunciar à grande empresa estatal, pois
todas as reformas são realizadas para fortalecer o socialismo, diz
Raúl Castro.
Muitos cubanos esperam por outras reformas que aliviem sua falta
de alimento e transporte, que lhes permitam viajar livremente,
comprar veículos e imóveis, ou aumente seu poder aquisitivo.
A maior parte da população de Santiago de Cuba consultada pela
Agência Efe, incluídos muitos que se declaram orgulhosamente
revolucionários, esperam que haja mais reformas e liberalizações.
No entanto, Raúl Castro, em suas últimas mensagens à nação,
esfriou as expectativas e pediu a seus compatriotas que façam mais
sacrifícios, que trabalhem e produzam mais, pois os desafios de Cuba
são "grandes e difíceis".
O general de 77 anos reiterou que é necessário que a população
seja realista, pois a situação mundial, com grandes aumentos nos
preços dos alimentos e dos combustíveis, o impede de ir mais rápido
com suas prometidas reformas.
Fidel Castro, de 81 anos e que sofre uma doença intestinal que o
fez passar por diversas intervenções cirúrgicas, renunciou no dia 19
de fevereiro à Presidência e ao comando militar de Cuba após 49 anos
e 55 dias no poder. Seu irmão mais novo foi escolhido para sucedê-lo
cinco dias mais tarde.
Entretanto, Raúl Castro já tem as rédeas de Cuba há dois anos,
pois o estado de saúde de seu irmão o impede de governar desde 26 de
julho de 2006.
O ato principal da comemoração desta noite acontecerá diante de
Moncada (que antes era uma prisão e agora é uma instituição
educacional), onde foram colocadas milhares de cadeiras e grandes
cartazes.