Bogotá, 31 jul (EFE) - Os moradores de La Sierra, um pequeno
povoado de apenas 200 pessoas situado no município colombiano de
Bagadó, no departamento de Chocó, afirmaram que caiu na quarta-feira
uma "chuva de sangue", segundo destacam hoje fontes da região.
"A água caía no teto e, do teto à terra, era sangue e isso me deu
muito medo", explicou à Agência Efe Emérito Córdoba, um vigia de 71
anos que presenciou o fenômeno.
Ele reconheceu, no entanto, que não podia assegurar se o sangue
era "humano, de vaca ou de porco".
A chuva de sangue começou às 10 horas e se estendeu durante 30
minutos.
O vigilante foi à rua para contemplar como a parte alta do
povoado, onde "há muitos cemitérios", tinha se transformado em uma
enchente de sangue.
"Nesse momento, fiquei com medo de sair à rua, porque não
queríamos nos sujar de sangue, tudo o que arrastava era sangue",
afirmou Córdoba.
No entanto, disse que teve coragem de pegar uma amostra do
líquido e levá-la à boca.
"Vamos coletar um pouco do sangue, porque é a única forma de
fazer com que acreditem em nós", afirmou Córdoba e, em seguida,
colheu uma mostra do líquido.
O padre Jhonny Milton Córdoba, pároco de Bagadó, já tinha sido
informado do fato apocalíptico, mas a falta de combustível o impediu
de ser aproximar de La Sierra, localizada a meia hora de navegação
pelo Rio Andágueda, segundo explicou à imprensa.
O vigia decidiu então levar ao sacerdote as amostras na manhã de
hoje, mas, para sua surpresa, o conteúdo da garrafa tinha se tornado
transparente, "como a água".
O padre, ao receber as amostras e dezenas de ligações dos
habitantes de La Sierra e de jornalistas, decidiu que os cientistas
deveriam analisar o conteúdo da garrafa.
"A levamos a um laboratório, e o bacteriologista confirmou que
era sangue", explicou o padre.
Ele não se atreveu, no entanto, a emitir um veredicto e apenas se
referiu ao que acreditam os habitantes de La Sierra: "Acham é um
sinal de Deus".
O monsenhor Fidel León Cadavid, Bispo de Quibdó (a capital
departamental), também não quis comentar o caso.
"Acontecem coisas inexplicáveis, por isso não se pode tentar dar
uma hipótese. O que estamos fazendo é esperar que o padre mande a
Quibdó a amostra do líquido", disse à imprensa.