María Peña
Washington, 10 ago (EFE).- Representantes de movimentos pela
supremacia branca nos Estados Unidos apostam na vitória eleitoral do
candidato democrata Barack Obama para lançar sua chamada Revolução
Branca e corrigir o suposto declínio da raça no país.
"Acreditamos que Obama vai ganhar, porque é a culminação da era a
favor das minorias nos EUA. Mas, isso vai gerar um contra-ataque dos
brancos e até uma revolução", disse à Agência Efe Richard Barrett,
um conservador do Mississipi e líder do Movimento Nacionalista.
"Para nós, é uma luta da maioria branca contra a tirania das
minorias. Essa era trouxe distúrbios, pobreza, chantagem,
assassinatos e poder político para as minorias", disse Barrett.
"Muitos brancos votarão em Obama, mas (...) se darão conta de seu
erro, voltarão a defender os direitos da maioria e a exigir uma
mudança", afirmou.
Grupos como o de Barrett, que se autodenominam nacionalistas e
que defendem a supremacia dos brancos até na internet, sentem-se
vítimas de um sistema que, segundo sua opinião, confere preferências
"desmerecidas" aos negros, hispânicos e demais minorias étnicas.
Segundo especialistas consultados pela Efe, não é que esses
grupos apóiem Obama, o primeiro negro com reais possibilidades de
chegar à Casa Branca, mas eles odeiam mais seu rival John McCain, a
quem chamam de traidor por seu apoio a uma reforma integral da
política de imigração.
Os membros destes grupos, dispersos em toda a geografia nacional,
optarão por não votar ou, na privacidade das urnas, "votarão em
Obama, com a esperança de que isso lhes ajude a impulsionar uma
Revolução Branca", disse Mark Potok, um pesquisador do Southern
Poverty Law Center (SPLC), com sede em Montgomery (Alabama).
Seu grupo se dedica a rastrear as ações de organizações
supremacistas, estimadas em 888 em 2007, a maioria concentrada no
sul e na zona central do país. O SPLC calcula que cerca de 200 mil
pessoas pertencem a esses grupos.
"Os supremacistas acham que uma vitória de Obama seria como um
grito de batalha dos brancos e que milhões se unirão em sua causa e
armarão a revolução" a favor da segregação racial nos bairros e
escolas, disse Potok.
Este fenômeno reflete o pouco que melhoraram as relações raciais
nos EUA, cuja imagem foi manchada pelo legado da escravidão e do
racismo.
Carol Swain, professora de Ciências Políticas e Leis da
Universidade Vanderbilt, acredita que apesar da vitória de Obama
representar uma mensagem sobre o progresso social dos EUA, para os
supremacistas "seria um símbolo da decadência do país e do mal pelo
qual os brancos estão passando".
"Estes grupos dizem que se sentem vítimas, discriminados e
marginalizados e dizem se ressentir das preferências concedidas às
minorias. Acham que se a sociedade continuar enfatizando a
identidade racial, então mais e mais brancos se sentirão no direito
de defender a sua", explicou Swain, autora de um livro sobre o tema.
Um ex-líder do Ku Klux Klan, David Duke, divulga em sua página na
internet a causa do "nacionalismo branco" e acredita que um triunfo
de Obama seria um "claro sinal para milhões de americanos brancos de
que não se dão conta" de que perderam o controle de seu país.
Segundo o site de Duke, ex-legislador da Louisiana, "o perigo
imediato" dos EUA é a "imigração em massa" de mexicanos. Ele
advertiu que, se esta tendência continuar, haverá "um genocídio do
povo americano".
Duke, um declarado anti-semita, reclama do fato de negros e
hispânicos terem grupos que defendam seus interesses, mas segundo
ele "se uma pessoa branca defende sua herança cultural, a mesma que
fundou este país, então a chamam de racista".
A Primeira Emenda da Constituição protege a liberdade de
expressão, o que dá direito ao ódio pregado por grupos extremistas
contra os judeus e demais minorias. A lei só intervém quando há uma
incitação direta a atos de violência ou são cometidos crimes
raciais.
Para muitos, a Revolução Branca é uma fantasia que, no entanto,
demonstra que o racismo persiste e que a retórica da esperança, a
mudança e a reconciliação, que tanto defende Obama, não combate
esses grupos.