Tbilisi, 12 ago (EFE).- O presidente da Geórgia, Mikhail
Saakashvili, anunciou hoje que seu país está saindo da pós-soviética
Comunidade dos Estados Independentes (CEI).
O chefe do Estado fez este anúncio durante uma grande
manifestação na capital georgiana, na qual pediu a outros países,
entre eles a Ucrânia, que sigam o exemplo de Tbilisi.
A CEI reúne a Rússia e outras onze repúblicas da extinta União
Soviética, incluindo a Geórgia, desde 1994.
"A Geórgia é o brilhante mais prezado da coroa do império russo.
Se cairmos, haverá problemas para todo o mundo civilizado. Estamos
na primeira linha. Depois de nós, cairão a Ucrânia e os países
bálticos", disse Saakashvili.
O presidente georgiano acrescentou que a Rússia enviou 1.200
carros de combate contra a Geórgia, "mais do que a Afeganistão,
Hungria e Tchecoslováquia".
O líder georgiano afirmou que o que está ocorrendo entre a
Geórgia e a Rússia é como o que ocorreu "entre Davi e Golias" e
acrescentou: "Davi vencerá".
"Enquanto estou falando, continua a aniquilação dos meus
concidadãos pelos ocupantes russos. Estou em uma situação difícil",
disse.
"O que querem os russos em Tskhinvali (capital da Ossétia do
Sul)? Arrasaram o lugar. Depois dos mongóis, eles não aprenderam
nada. Não têm um grama de civilização. Não querem a liberdade da
Geórgia. Querem esmagá-la", afirmou.
"Em Kekhvi e em Tamarasheni (aldeias georgianas na Ossétia do
Sul), os russos, por ordem de (Vladimir) Putin, estão criando campos
de concentração. Estão criando uma nova Srebrenica", denunciou.
O líder georgiano também disse que "Tskhinvali repete a sorte de
Grozni (capital chechena)".
Saakashvili disse que, em Moscou, afirmam que no Exército
georgiano há "americanos e ucranianos".
"Digo que não. Em nosso Exército há abkhazes, ossetas,
ucranianos, russos étnicos. Eles defendiam sua pátria", afirmou.
O presidente georgiano disse que as Forças Armadas do país, com
"meios primitivos, derrubaram 21 aviões russos e mataram mais de 400
intervencionistas".
Dezenas de milhares de georgianos se reuniram hoje junto à sede
do Parlamento da Geórgia.
Durante seu discurso, Saakashvili não fez nenhuma menção ao
anúncio do presidente russo, Dmitri Medvedev, de colocar fim hoje às
ações militares na Geórgia.
"A luta continua, e a Geórgia e a liberdade vencerão", concluiu o
presidente georgiano, e depois dessas palavras os manifestantes
cantaram o hino nacional georgiano.