Madri, 21 ago (EFE).- Bombeiros vasculham hoje o local onde caiu
o avião acidentado nesta quarta-feira no aeroporto de Barajas, em
Madri - em acidente no qual morreram 153 pessoas -, em busca de
restos mortais de duas pessoas que seguem desaparecidas.
Um porta-voz do serviço de emergências de Madri informou à
Agência Efe que os trabalhos começaram com as primeiras luzes do
dia, no declive no qual caiu o MD-82 da companhia aérea Spanair
segundos após decolar do aeroporto madrilenho de Barajas.
Os bombeiros voltaram a rastrear o local do acidente, reviraram e
movimentaram partes da fuselagem do aparelho para tratar de
localizar restos das pessoas ainda desaparecidas.
As caixas-pretas da aeronave, que registram a atividade dos
instrumentos e as conversas na cabine de comando, foram localizadas
poucas horas depois do acidente e serão o principal elemento de
investigação da tragédia.
Um juizado de Madri assumiu a liderança da investigação e das
operações de traslado dos 153 corpos a um local próximo ao aeroporto
para que pudessem ser realizadas as autópsias e identificações dos
mortos.
O sindicato de pilotos Sepla, o maior do país, pôs à disposição
das autoridades seu departamento técnico e de segurança para ajudar
na investigação do acidente.
Em comunicado, o Sepla ofereceu "o conhecimento e a qualificação
profissional" de seus "especialistas para esclarecer em profundidade
todas as causas que possam ter levado a uma das maiores tragédias
aéreas" da história recente da Espanha.
O sindicato, que reúne quase todos os pilotos espanhóis, pediu
prudência para evitar a proliferação "de hipóteses errôneas que
venham a prejudicar o adequado esclarecimento dos fatos".
O diretor para a área de segurança do Colégio Oficial de Pilotos
da Aviação Comercial (Copac) da Espanha, Francisco Cruz, apontou à
Efe outros possíveis erros nos instrumentos do avião como causa da
catástrofe.
Segundo Cruz, "não é lógico que com uma falha do motor o avião
caia". "Deve haver algo mais", uma possibilidade que "pode
corresponder a problemas nos sistemas hidráulicos ou elétricos",
completou.
Cruz advertiu que "pode demorar meses e até um ano para que as
causas do acidente sejam conhecidas", e que por isso também
aconselha cuidado na hora de se tirar conclusões.
O acidente ocorreu durante a decolagem, em uma manobra que os
pilotos "treinam muito nos simuladores", sobretudo em meio à
possibilidade de ter uma falha em um dos motores, assegurou.
O modelo MD-82 é considerado muito seguro, segundo Cruz, que
afirmou que se as companhias aéreas o estão retirando do mercado
isso não quer dizer que o mesmo esteja obsoleto.
Pode ser porque "consomem muito combustível", cerca de 25% a mais
que um avião de nova geração, acrescentou.
O aeroporto de Barajas, de onde saiu o avião acidentado, voltou
nas últimas horas à normalidade, segundo disseram à Efe responsáveis
aeroportuários, que acrescentaram que os vôos da Spanair também
operam com regularidade.