Teresa Bouza.
Denver (EUA), 28 ago (EFE).- Barack Obama aceitou hoje a
candidatura democrata à Presidência em um discurso histórico no qual
disse que chegou o momento da mudança nos Estados Unidos, após oito
anos de "políticas fracassadas" dos republicanos.
O senador por Illinois, que discursou para cerca de 75.000
pessoas, criticou duramente os oito anos da Presidência de George W.
Bush, cujas "políticas fracassadas" equiparou com as de seu rival
republicano John McCain.
"John McCain apoiou (o presidente) George W. Bush em 90% das
vezes. O senador McCain gosta de falar sobre critério, mas que
critério é esse se ele pensa que George W. Bush estava certo em 90%
das vezes?", afirmou.
Seu discurso no estádio Invesco aconteceu após um longo dia
marcado por música e política, e que coincidiu com o 45º aniversário
do histórico discurso em que o reverendo afro-americano Martin
Luther King disse que "tinha um sonho" para os EUA.
A Convenção Democrata em Denver reuniu um impressionante grupo de
estrelas da música pop, como Stevie Wonder, Jennifer Hudson,
Will.I.Am, John Legend e Sheryl Crow.
Representando os líderes democratas estavam o candidato à
Vice-Presidência Joseph Biden, o ex-vice-presidente Al Gore, o
governador do Novo México, Bill Richardson, e a presidente da Câmara
de Representantes, Nancy Pelosi, entre outros.
Todos que subiram ao palco esta noite tinham uma mensagem comum:
"McCain oferece o mesmo que George W. Bush".
No entanto, o grande momento da noite aconteceu às 20h (local),
quando Obama surgiu no palco.
O senador, que oficializou sua candidatura esta semana durante a
Convenção Democrata, centrou seu discurso na classe média, que
precisa conquistar para vencer as eleições de 4 de novembro.
Obama lembrou seu trabalho como organizador comunitário nos
bairros pobres de Chicago e comentou sobre sua avó, que ajudou em
sua criação e cuja luta para "subir na vida" comparou com a do
cidadão médio americano.
"Não sei qual é o tipo de vida que John McCain acredita que as
celebridades levam, mas esta é a que tive", disse em referência às
críticas de seu rival, que o acusa de ser uma simples celebridade
que não está pronta para governar.
"Esses são meus heróis", disse o candidato democrata, em
referência a sua avó e aos trabalhadores de Chicago, que sofreram
com o fechamento das usinas siderúrgicas.
Obama assegurou que quer "vencer estas eleições para essas
pessoas, e para manter o sonho americano vivo".
O senador afirmou que esse sonho fez com que seus pais, um
economista queniano educado em Harvard, e sua mãe, uma mulher do
Kansas, que não eram "nem ricos nem conhecidos", compartilhassem uma
crença comum, a de que nos EUA seu filho poderia transformar em
realidade tudo que quisesse.
Mas o sonho que os Estados Unidos ofereciam a seus cidadãos e
imigrantes começou a evaporar, devido a uma política que privilegiou
os mais ricos, afirmou.
Obama, que é tachado por seus opositores de ser pouco concreto,
disse que esta noite explicaria "em detalhes" o que significa o
termo "mudança" caso seja eleito.
"Mudança significa um sistema tributário que não dê privilégios
aos grupos que o redigiram, mas que favoreça os trabalhadores
americanos e os pequenos empresários", explicou.
Insistiu em que dará incentivos fiscais às companhias que
investirem no emprego nos EUA e que reduzirá os impostos de 95% das
famílias trabalhadoras.
Na política externa, um dos temas mais usados pelos republicanos
para criticá-lo por sua inexperiência, lembrou que se opôs desde o
início à Guerra do Iraque e anunciou que acabará com a presença
militar no país árabe "de maneira responsável".
A noite terminou com uma "chuva" de confetes e um show de fogos
de artifício, no lugar dos tradicionais balões coloridos que
costumavam concluir o evento, uma demonstração do espírito de
"mudança" com o qual os democratas encaram esta campanha eleitoral.