Nova Délhi, 2 dez (EFE).- O Governo da Índia descartou hoje que estude a opção militar na crise com o Paquistão por causa dos ataques terroristas em Mumbai, e exigiu do país a entrega de cerca de 20 supostos responsáveis de atentados em solo indiano.
"Ninguém está falando de uma ação militar", disse o ministro de Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, aos jornalistas que cobrem um fórum entre Índia e países árabes que começou em Nova Délhi, segundo as agências indianas.
O ministro revelou que seu Executivo pediu ao Paquistão a extradição de cerca de 20 supostos terroristas, entre eles o chefe do Lashkar-e-Toiba, o grupo com base no Paquistão ao qual a Índia acusou pelo massacre em Mumbai.
"Fizemos o pedido (na segunda-feira). Estamos esperando uma resposta do Paquistão", disse Mukherjee, em alusão ao comparecimento no Ministério de Exteriores do chefe da delegação diplomática paquistanesa em Nova Délhi, Shahid Malik.
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O Governo indiano convocou ontem à noite Malik para entregar um protesto formal pelo envolvimento de "elementos do Paquistão" nos atentados em Mumbai.
Segundo um comunicado oficial, o Governo indiano transmitiu ao embaixador sua exigência de que o Paquistão adote uma "ação contundente" contra esses responsáveis.
Mukherjee confirmou que seu Governo pediu a entrega de vários "fugitivos sob as leis indianas que se assentaram no Paquistão".
Entre eles, estão o acusado de ser responsável pelos atentados de Mumbai em 1993, Dawood Ibrahim, e os líderes dos grupos caxemirianos Lashkar-e-Toiba (LeT), Mohammed Said; e Jaish-e-Mohamad (JeM), Massoud Azhar.
O ministro indiano agradeceu as demonstrações de apoio internacional que a Índia recebeu após o ataque a Mumbai.
"A comunidade internacional nos apóia, incluindo o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama", disse.
Acrescentou que a Índia está esperando para ver a resposta do Paquistão a suas reivindicações.
Em Islamabad, o ministro de Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, ofereceu hoje à Índia a criação de uma "comissão conjunta" para investigar os atentados em Mumbai.
Qureshi disse ter levado essa proposta a representantes diplomáticos em Islamabad, aos quais reiterou a intenção de seu Governo de cooperar para "levar à Justiça os que cometeram esse atroz ato terrorista".
O LeT foi indicado pelas autoridades indianas como responsável pelos ataques em Mumbai, depois da confissão do único terrorista capturado vivo pelas forças de segurança.
O indivíduo, um paquistanês da zona de Multan, admitiu que pertence ao LeT, segundo detalhes da investigação, que reúne também a apreensão de um telefone por satélite com números relacionados ao chefe de operações do grupo armado.
Os terroristas, de acordo com a investigação, chegaram a Mumbai por mar após sair da cidade portuária paquistanesa de Karachi e percorrer a costa ocidental indiana.
Os Estados Unidos, cujos serviços de inteligência alertaram em outubro sobre um possível ataque por via marítima contra Mumbai, segundo a imprensa de Washington, anunciou o envio de sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, amanhã a Nova Délhi, em uma aparente tentativa de conter a tensão entre a Índia e o Paquistão.