Bogotá, 3 fev (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse hoje que insistirá no cerco humanitário sobre a guerrilha para viabilizar a soltura dos 22 membros da Polícia que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantém como reféns visando a uma futura troca.
"Seguimos com essa tarefa, e chegará um momento no qual ou os soltam, ou os recuperamos", advertiu Uribe nos arredores na casa em Villavicencio, cidade do centro colombiano, do ex-governador Alan Jara, libertado pelas Farc ontem.
O presidente se reuniu por mais de uma hora com Jara, que antes tinha declarado, em uma tumultuada coletiva de imprensa, que "Uribe não fez nada pela liberdade" dos reféns.
O ex-governador, refém das Farc por mais de sete anos, afirmou também que "a atitude de Uribe não ajudou em nada a que se produzisse a troca humanitária".
Uribe disse ter falado sobre tudo isso com o ex-refém, que o recebeu junto com sua esposa Claudia e seu filho.
"Estamos prontos para a paz, não para o engano; estamos prontos para o acordo humanitário, não para reforçar o terrorismo", afirmou Uribe.
O governante reiterou que esteve disposto a buscar um acordo com os guerrilheiros, mas não à custa de pôr o país em risco.
"O que eu não poderia fazer como presidente da Colômbia é tirar guerrilheiros da prisão e entregá-los às Farc para que voltem a matar", afirmou.
Uribe lembrou que, faltando um acordo, também ofereceu aos rebeldes que desertassem e entregassem sequestrados uma recompensa e a liberdade condicional, mas não a anistia ou o indulto, o que a lei não permite.
O presidente colombiano também evitou confirmar a suposta renúncia do alto comissário governamental para a Paz, Luis Carlos Restrepo, após uma polêmica envolvendo a imprensa em Villavicencio.
Uribe disse que sobre Restrepo, que coordenava a parte oficial da missão de resgate dos reféns, a única coisa que poderia falar é que "há confiança, apreço, admiração e gratidão".