Bangcoc, 4 nov (EFE).- A líder opositora e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, apareceu hoje pela primeira vez em um lugar público em Ragún desde 2003, antes de reunir-se com uma missão diplomática dos Estados Unidos que visita Mianmar para impulsionar o diálogo com a Junta Militar.
A reunião aconteceu no Inya Lake Hotel, aonde se transferiu Suu Kyi, de 64 anos, desde sua casa, situada a pouca distância, onde se encontra sob a prisão domiciliar imposta pelo regime militar.
A sua chegada, Suu Kyi posou durante alguns minutos para os fotógrafos que aguardavam a ocasião, segundo indicaram as testemunhas.
"A Dama", como a chamam seus seguidores, mostrou um bom aspecto e sorriu aos congregados antes de entrar em uma sala para falar com o secretário de Estado adjunto americano para a Ásia Oriental e Pacífico, Scott Campbell, e o vice-secretário do mesmo departamento, Scott Marciel.
A Nobel da Paz de 1991 passou quatorze dos últimos vinte anos sob prisão domiciliar por pedir de maneira pacífica reformas democráticas em Mianmar.
Previamente, os dois diplomatas dos Estados Unidos tinham se reunido com o primeiro-ministro e general Thein Sein, em Naypyidaw, a capital.
Eles são as autoridades de mais alto nível a visitar o país desde que Madeleine Albright foi ao país em 1995, quando era a embaixadora dos EUA perante a ONU.
Washington se contempla a possibilidade de levantar as sanções contra o regime militar e este giro em sua política externa foi respaldado por Suu Kyi.
O principal objetivo dos EUA é convencer aos uniformizados que realizem eleições livres em 2010, apesar do chefe da Junta Militar, o general Than Shwe, reiterar que o pleito se celebrarão sem ceder às exigências da oposição e da comunidade internacional.
Uma das queixas é que Suu Kyi, que foi condenada em agosto passado a outros 18 meses de prisão domiciliar, não poderá tomar parte na votação.
A oposição política birmanesa tacha de farsa tais eleições com uma Constituição, aprovada em 2008, que legitima a presença dos militares na política e lhes reserva pelo menos 25% das cadeiras do Legislativo.
Mianmar está baixo uma ditadura militar desde 1962 e não celebra eleições desde 1990, quando Suu Kyi derrotou os generais, que nunca acataram o veredicto das urnas.