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04/11/2009 - 17h29

Zelaya diz que pedido de Micheletti de lista para Governo é uma "ofensa"

Tegucigalpa, 4 nov (EFE).- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, considera como uma "ofensa" o pedido feito pelo governante de fato, Roberto Micheletti, para a elaboração de uma lista de nomes para escolher os membros do Governo de unidade e reconciliação nacional.

"O presidente Zelaya considera como uma ofensa para ele, como presidente eleito pelo povo hondurenho, o que o golpista Roberto Micheletti pede", ressaltou o assessor e porta-voz de Zelaya, Rasel Tomé, por telefone a partir da embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o governante deposto está refugiado desde 21 de setembro.

Micheletti enviou ontem uma carta a Zelaya na qual lhe pede para "proporcionar sem demora uma lista de dez cidadãos" para "fazer a escolha dos servidores públicos que, a partir de 6 de novembro, formarão o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional".

A formação do Governo de unidade está prevista no Acordo Tegucigalpa-San José, assinado na sexta-feira passada pelas comissões de diálogo de Zelaya e Micheletti.

O acordo também estabelece que o Congresso é quem deverá decidir sobre a restituição de Zelaya no poder, embora a direção do Legislativo ainda não tenha estabelecido uma data para tratar do assunto em plenário.

Segundo Tomé, Zelaya age conforme o Acordo Tegucigalpa-San José e reiterou que "quer uma solução pacífica para a crise, com respaldo da comunidade internacional".

"Além disso, se requer que o Congresso se pronuncie sobre a restituição do presidente Zelaya; por isso, não pode haver uma resolução antes da criação de um Governo de Unidade e Reconciliação Nacional", destacou Tomé.

Para o porta-voz de Zelaya, cabe agora à Comissão de Verificação vigiar o cumprimento do acordo assinado sexta-feira.

A Comissão de Verificação foi instalada ontem com dois representantes indicados pela Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a secretária de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solís, além de um representante de Zelaya e outro de Micheletti.

A carta enviada a Zelaya contém a assinatura do ministro da Presidência do Governo de fato, Rafael Pineda, e foi enviada nos mesmos termos aos cinco candidatos presidenciais para as eleições de 29 de novembro e a dois organismos da sociedade civil.

Zelaya considera que sua restituição no poder deve acontecer no máximo até amanhã, quando o Governo de unidade estabelecido pelo Acordo Tegucigalpa-San José deverá estar formado.

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