Tegucigalpa, 3 nov (EFE).- O ex-presidente do Chile Ricardo Lagos, que faz parte da Comissão de Verificação do Acordo de Tegucigalpa-San José instalada hoje na capital hondurenha, assegurou que este acordo implica que o deposto presidente do país, Manuel Zelaya, deve ser restituído.
"É hora de implementar o acordo, o que significa que o presidente Zelaya tem que ser posto de volta no poder e que deve assegurar que as eleições presidenciais se realizem de forma democrática no dia 29 de novembro", assegurou em declarações à imprensa.
Lagos chegou hoje a Tegucigalpa junto com a ministra de Trabalho dos Estados Unidos, Hilda Solís, e o secretário de Assuntos Políticos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Víctor Rico, para conformar a Comissão de Verificação.
Nela também estão um representante de Zelaya, o embaixador de seu Governo na ONU, Jorge Reina, e outro do presidente de facto, Roberto Micheletti, Arturo Currais.
Zelaya e Micheletti discordaram nos últimos dias sobre a interpretação do pacto.
O primeiro, cassado no último dia 28 de junho, assegura que o tratado só se cumpre se é restituído no poder e que esta condição deve dar-se antes de quinta-feira, quando deve entrar interino um Governo de unidade.
Por outro lado, o segundo considera que o Congresso pode votar contra a volta ao poder do líder deposto e que o Legislativo não tem data para decidir sobre essa questão.
A tarefa de definir a correta interpretação do acordo recairá na Comissão de Verificação.
"Estamos aqui para verificar que estes pontos (do acordo) vão ser implementados para criar um Governo de união nacional e ao mesmo tempo, como diz o acordo, restaurar as instituições democráticas ao estado em que estavam em 28 de junho, quando o presidente Zelaya foi deposto", disse Lagos após a instalação da comissão.
Por sua parte, Rico, ao ser questionado se a OEA respeitará o que decida o Congresso, mesmo que seja em sentido contrário à restituição de Zelaya, como exigiu sua Assembleia Geral em uma resolução no último dia 4 de julho, afirmou que "o que diz o acordo é que as partes respeitarão o que estabeleça o Congresso".
"O que a OEA decida o discutirá em Assembleia Geral quando se decida o levantamento ou não da suspensão de Honduras em sua participação na OEA que se adotou dia 4 de julho", acrescentou.