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04/11/2009 - 13h13

Assessor brasileiro avalia, na Espanha, primeiro ano de Obama como positivo

Mercedes Vermelho.

Madri, 4 nov (EFE).- O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, considerou com saldo positivo do primeiro ano de mandato de Barack Obama, embora tenha admitido que esperava mais.

Em entrevista à Agência Efe em Madri, que coincidiu com o primeiro aniversário da chegada de Obama à Presidência dos Estados Unidos, o assessor advertiu que "também não se deve ter ilusões".

Obama, explicou está enfrentando dificuldades, tem uma agenda interna e externa de imensa complexidade, na qual a América Latina não é prioridade.

García, que assiste em Madri ao fórum "Brasil, grande potência latina", citou o caso de Honduras e opinou que os EUA demoraram a interferir no problema.

Ele lembrou que o Brasil teve uma atuação de "perfil baixo" no caso, que só aumentou com o fato do presidente deposto de Manuel Zelaya ter se refugiado na embaixada do país em Tegucigalpa, e confiou na mediação que nas próximas horas levará ao fim a situação em Honduras.

Com relação aos focos de tensão na América Latina, Marco Aurélio Garcia ofereceu auxílio ao Brasil para vigiar com aviões a fronteira entre Venezuela e a Colômbia, justificando que isso contribuiria para "o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países".

O assessor da Presidência reconheceu a presença do presidente Lula como mediador na região.

Em sua opinião, "Lula manteve uma relação fluente com presidentes que às vezes nem tinham grande proximidade política com ele, e lembrou de sua facilidade com Chávez (Hugo) e com Álvaro Uribe".

Ele defendeu a substituição da ideia de liderança, com a qual se define frequentemente ao Brasil, pela de solidariedade e porque América do Sul se apresenta como palco internacional como "um conjunto, com afinidades e sem grandes conflitos étnicos nem religiosos, onde todos os Governos foram escolhidos por seus cidadãos".

Quanto às relações entre ambas as margens do Atlântico, Marco Aurélio Garcia expressou a confiança do Brasil em que a Presidência espanhola da União Europeia, no primeiro semestre de 2010, represente um "avanço definitivo na conquista de um acordo entre os 27 e o Mercosul".

Após anos de conversas entre o Mercosul e a União Europeia, as relações estão congeladas, lembrou García, quem considerou que "chegou o momento de restabelecer as negociações para chegar a um acordo que não será o ideal", mas o possível para estabelecer uma relação de futuro.

Nessa negociação, o assessor disse ao chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e à presidente argentina, Cristina Fernández Kirchner, como dois partícipes essenciais.

A Argentina presidirá a partir de janeiro o Mercosul - integrado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai -, em coincidência com a Presidência da UE por parte da Espanha, um país com sensibilidade para a região, disse o assessor brasileiro.

Por isso, mostrou-se convencido que os protagonistas de "uma aproximação efetiva do ponto de vista comercial, no próximo ano, serão os governantes da Espanha e da Argentina".

Ressaltou, no entanto, que embora a Argentina esteja à frente do Mercosul e a Espanha na UE podem "ajudar muitíssimo, é necessário um impulso de natureza política, que somente os chefes de Governo podem dar".

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