Caracas, 4 nov (EFE).- A fronteira entre as províncias de Táchira, na Venezuela, e Santander, na Colômbia, está aberta nesta quarta-feira e dentro da normalidade, depois das restrições de trânsito impostas ontem pela Venezuela, informou hoje a "Agência Bolivariana de Notícias (ABN)".
Na terça-feira, o Governo de Hugo Chávez impôs fortes restrições à passagem de veículos e pessoas na região como medida de segurança após a morte de dois soldados da Guarda Nacional que estavam em um posto de controle.
Contingentes da Guarda Nacional foram transferidos à região para reforçar a vigilância, acrescentou a informação oficial.
Ontem à noite, o presidente Chávez disse que a fronteira venezuelana "não está fechada", embora não descartou ditar essa medida como mecanismo para enfrentar a violência paramilitar que proveniente da Colômbia, segundo ele, suscitou na região nas últimas semanas.
As restrições nas passagens que unem a Táchira com o Santander geram perdas de US$ 4 milhões por dia aos comerciantes da região, afirmou ontem à Agência Efe, o diretor da federação de câmaras empresariais da Venezuela, José Rozo.
Segundo as autoridades venezuelanas, os responsáveis pelos assassinatos dos guardas nacionais, dos nove colombianos, um peruano e um venezuelano em outubro passado em Táchira são grupos paramilitares.
Nesta terça-feira, a Promotoria informou que o venezuelano Johan Manuel Mora Rodríguez, 20 anos, foi detido por suposto envolvimento com a morte de dois militares.
As ações paramilitares na fronteira fazem parte do "plano do império, da burguesia crioula e da burguesia colombiana para desestabilizar o Governo revolucionário e socialista", reiterou ontem à noite o líder da Venezuela.
O governador de Táchira, o opositor César Pérez Vivas, afirmou que o Governo de Chávez culpa os paramilitares pelos assassinatos na fronteira para proteger os grupos guerrilheiros colombianos que supostamente estão refugiados na região.
Pérez Vivas foi citado ontem à noite por Chávez de estar "comprometido com o plano paramilitar contra de seu Governo e advertiu que ele terá de suportar as consequências".
A crise na fronteira ocorre em um momento em que as relações entre os dois países estão paralisadas, devido à rejeição do Governo de Chávez ao acordo que permite o uso de bases colombianas por soldados americanos.
O acordo é classificado por Chávez como uma ameaça contra sua revolução bolivariana e socialista.