Londres, 4 nov (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou hoje os governantes, empresários e cidadãos brasileiros a "pensar grande" caso queiram verdadeiramente conseguir fazer com que o Brasil seja um dos países mais fortes do mundo.
"Se o Brasil quer ser uma das economias mais importantes do mundo, não podemos continuar agindo como se fôssemos um país pequeno", disse Lula ao inaugurar o escritório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na City, o distrito financeiro de Londres.
No coração de um dos principais centros financeiros do mundo, o presidente expressou seu "orgulho" por realizar um velho sonho, o de ter companhias nacionais radicadas no exterior com o financiamento necessário para seu funcionamento.
A presença do BNDES na City, com o objetivo de servir de plataforma para as operações globais do Brasil, é um exemplo de que o país começou a mudar de atitude, disse Lula.
"O país está cansado de ser visto como um país pequeno, de pensar pequeno", declarou o presidente, acompanhado, entre outros, do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do secretário de Estado do Reino Unido para Negócios, Peter Mandelson.
Mandelson expressou sua satisfação com o fato de o Governo brasileiro ter escolhido Londres como "plataforma para sua expansão internacional" e destacou que as historicamente boas relações entre os dois países servirão de base para uma relação futura "mais estimulante".
Para Lula, no mundo globalizado, o Brasil parte com vantagem: "Se o mundo precisa de mais alimentos, o Brasil pode produzi-los; se o mundo precisa de mais biocombustíveis, o Brasil pode produzi-los, e se o mundo precisa de mais petróleo, o Brasil está em condições de produzi-lo".
A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 foi dada como exemplo por Lula de que o Brasil pode conseguir o melhor apesar do pessimismo de alguns setores da sociedade que "continuam pensando que os demais podem e nós não".
Ninguém pensava que o Rio poderia vencer Madri, Tóquio ou Chicago, afirmou Lula, que pediu a mesma amplitude de objetivos para "nossos bancos e nossas empresas", aos quais lembrou que "não devem nada às empresas e aos bancos do mundo desenvolvido".
Para o presidente, a Petrobras e a Embraer são dois exemplos de que "podemos competir em igualdade de condições no mercado internacional sem pedir permissão; com respeito, mas em igualdade de condições".
E o escritório do BNDES em Londres deve contribuir para, a partir de agora, terminar de convencer o capital e o investimento estrangeiro de que "o Brasil é uma grande oportunidade para quem quer fazer negócios e investir".
Lula transferiu esse espírito para as negociações internacionais para um acordo na Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas, no mês que vem, em Copenhague, onde, segundo o presidente, "ninguém estará em condições de dar lições ao Brasil sobre mudança climática".
Lula argumentou que a solução passa por agir localmente e defendeu que, "se fizermos o dever de casa, poderemos evitar o problema da mudança climática. O problema é que há alguns que não fazem o dever de casa e querem exigir dos demais".
O presidente assegurou que o Brasil é um dos países do mundo que mais "energia limpa e renovável" produz e se mostrou confiante em um diálogo aberto na capital dinamarquesa.
"Não vamos a Copenhague para impor nossas propostas. Vamos apresentar nossas metas, mas com o desejo de construir com outros países o que puder ser construído para que o planeta possa sobreviver por muitas mais centenas de anos", afirmou.
O primeiro dos dois dias da visita de Lula a Londres teve um marcado caráter econômico e empresarial, já que se reuniu com os presidentes da siderúrgica Arcelor Mittal, Lakshmi Mittal, e do grupo produtor de alumínio Alcoa, Franklin Feder.
Houve espaço também para a política, em reunião com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que recebeu Lula no final da tarde em sua residência oficial.
Na agenda, um memorando de cooperação para que a experiência dos Jogos Olímpicos de 2012 seja transmitida aos do Rio, em 2016, assim como a discussão sobre a cúpula de Copenhague e a reforma do Conselho de Segurança da ONU.
Nesta quinta-feira, Lula participará de um seminário do jornal "Financial Times" sobre as oportunidades de investimento no Brasil. Depois, será recebido pela rainha Elizabeth II.
Por fim, o presidente receberá durante uma cerimônia em sua homenagem o prêmio do Instituto Real de Assuntos Internacionais Chatham House, que anualmente reconhece a figura política que fez "a contribuição mais significativa para a melhora das relações internacionais no ano anterior".