Beirute, 5 nov (EFE).- O movimento xiita libanês Hisbolá chamou hoje o último relatório sobre o Líbano do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, relativo ao cumprimento da resolução 1701, de "injusto para o Líbano e a resistência" à Israel
"Desde 14 de agosto de 2006, Israel descumpriu dez mil vezes a resolução 1701 com suas violações ao território libanês por ar, mar e terra", afirmou o grupo libanês em comunicado divulgado hoje.
A resolução 1701 pôs fim à guerra entre Israel e o Hisbolá ocorrida no verão de 2006 e reforçou o mandato e o tamanho da Força Interina da ONU para o Líbano (Finul, na sigla em francês), que chegou a 15 mil soldados.
No relatório apresentado por Ban em 31 de outubro sobre o acompanhamento desta resolução, o secretário-geral da ONU insistiu na necessidade de desarmar os grupos existentes no Líbano devido à ameaça que, segundo ele, representam para a soberania do país.
Ban também expressou sua preocupação com os foguetes lançados a partir do sul do Líbano contra Israel em 11 de setembro e 27 de outubro e a descoberta de arsenais de armas que supostamente pertencem ao Hisbolá.
Segundo o Hisbolá, "o número limitado de incidentes (que ocorreram no Líbano) não pode ser comparado com os repetidos ataques israelenses".
O grupo xiita diz que o relatório deveria ter destacado "os ataques israelenses, que causam ansiedade e instabilidade na região".
"A resolução 1701 não concerne apenas ao Líbano, mas também a Israel, que deve assumir sua responsabilidade. Por que tolerar que continue com sua agressão?", questionou o Hisbolá.
Uma fonte próxima ao presidente do Parlamento libanês, Nahib Berri, disse à Agência Efe que o relatório "não era equilibrado porque menciona de modo reduzido as violações israelenses" da resolução 1701.
O conflito armado que terminou com esta resolução da ONU deixou 1.200 mortos no lado libanês, a maioria deles civis, e 160 do lado israelense, militares em sua maioria.