Lutffullah Ormurl.
Cabul, 5 nov (EFE).- A ONU anunciou hoje que redistribuirá dentro do Afeganistão ou retirará ao exterior temporariamente 12% de seu pessoal no país, em um esforço para garantir a segurança de seus funcionários, após o atentado sofrido na semana passada em Cabul.
Em entrevista coletiva na capital afegã, o enviado especial da missão da ONU no Afeganistão (Unama), Kai Eide, disse que o organismo está aplicando uma série de "medidas de segurança adicionais para seu pessoal nacional e internacional".
"Haverá uma redistribuição de até 12% de nosso pessoal. A maioria de nosso pessoal é de apoio ou o que eu denomino de pessoal que não está na primeira linha", disse Eide.
Segundo uma fonte da Unama consultada pela Agência Efe, a ONU tem 5,5 mil funcionários no Afeganistão, por isso, a partir da porcentagem informada por Eide, a medida afetaria 660 pessoas, mas o enviado não falou sobre números concretos.
Eide também não deixou claro que parte deles serão redistribuídos dentro do Afeganistão e quantos trabalhadores serão enviados a outros destinos no exterior.
No entanto, negou que o aumento da segurança implique em uma ordem de evacuação ou retirada do país.
"Não estamos falando de sair e não estamos falando de evacuação", disse Eide, acrescentando que a organização está "fazendo tudo o possível para minimizar" o impacto negativo que a medida possa ter no trabalho da ONU.
Antes do comparecimento do diplomata norueguês, o porta-voz da Unama, Aleem Siddique, antecipou à Efe que 600 trabalhadores atingidos por esta medida, que acontecerá nos próximos dias, são estrangeiros.
"Não vamos embora de lugar nenhum. Estamos há mais de meio século no Afeganistão e os programas continuam. Evidentemente, os recentes eventos trágicos nos forçam a rever a segurança", disse o porta-voz, que detalhou que 80% dos funcionários da Unama são de nacionalidade afegã.
A ONU admitiu, em comunicado, que tomou esta decisão "à luz" da morte, em 28 de outubro, de cinco empregados do organismo internacional em um atentado contra a hospedaria onde moravam, em Cabul.
Os talibãs tinham reivindicado a autoria do ataque e afirmado que os funcionários do organismo foram o alvo do atentado, por participarem do processo eleitoral afegão, que terminou na segunda-feira com a proclamação de Hamid Karzai como presidente.
O aumento da segurança para o pessoal da ONU no Afeganistão se junta às medidas aplicadas pelo organismo no vizinho Paquistão, onde o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou nesta semana a fase quatro - ou de "emergência" - nas demarcações tribais e na Província da Fronteira Noroeste.
A onda de atentados no Paquistão forçou Ban a ordenar a retirada dessas áreas de todo o pessoal internacional que não for "vital para as operações de segurança, ajuda humanitária e de emergência, assim como outras essenciais".
Ban foi pessoalmente na segunda-feira passada a Cabul para mostrar solidariedade à Unama, pedir a Karzai que as forças de segurança contribuam para melhorar a segurança de suas instalações e reiterar que a missão continuará trabalhando no Afeganistão, apesar do ataque talibã.
Os insurgentes têm seus principais redutos no leste e no sul do Afeganistão, onde as forças afegãs e internacionais lutam diariamente contra os talibãs.
O comando militar dos EUA informou hoje que vários fundamentalistas morreram em ofensivas lançadas ontem contra talibãs e membros da rede Haqqani nas províncias de Wardak e Khost, no leste do país.
Também na parte leste, um soldado americano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) morreu ontem quando um grupo de insurgentes atacou sua patrulha.