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06/11/2009 - 15h46

G20 procura consolidar na Escócia uma saída para recessão

Saint Andrews (R.Unido), 6 nov (EFE).- Os ministros de Finanças do Grupo dos Vinte (G20, grupo das economias ricas e das principais emergentes) começam hoje em Saint Andrews, na Escócia, uma reunião de dois dias para consolidar as medidas estipuladas na cúpula de Pittsburgh, nos Estados Unidos, com o objetivo de sair da recessão.

Acompanhados dos coordenadores dos bancos centrais de seus respectivos países, os ministros do G20, chegam à reunião com sinais palpáveis de que crise está ficando para trás.

Potências como os EUA, França, Alemanha e Japão já demonstraram que suas economias têm capacidade de crescimento, embora o titular britânico de Economia, Alistair Darling, anfitrião da conferência, advertiu que a recuperação é "um trabalho em curso".

"Há mais confiança que há seis meses, mas ainda não estamos fora de perigo", disse Darling antes da reunião, que será aberta nesta noite com um jantar de trabalho no hotel Fairmont Saint Andrews, a poucos quilômetros da localidade do mesmo nome, famosa pela universidade e por abrigar o campo de golfe mais antigo do mundo.

"Ainda temos que ver de fato a recuperação", afirmou cauteloso Darling, ressaltando a importância de tratar dois problemas urgentes e para os que também se requer cooperação internacional: a mudança climática e o crescimento econômico sustentado no longo prazo".

Os ministros tratarão de conseguir maior consenso para manter o compromisso conquistado na cúpula de Pittsburgh que nenhum país retirará os estímulos fiscais antes da confiança na recuperação.

Este objetivo se depara com algumas vozes que começam a surgir pedindo medidas urgentes para reduzir o enorme déficit acumulado com os planos de resgate e de ajuda à economia e às instituições financeiras.

Com relação a esse assunto, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, declarou na quinta-feira "que nos países avançados é preciso manter os estímulos porque o crescimento ainda não está consolidado, mas que em nações como o Brasil, onde está consolidado, já é permitido diminuir os estímulos fiscais".

O grupo examinará a criação de um fundo comum de reservas, para persuadir os emergentes que não acumulam divisa estrangeira a utilizá-los para impulsionar o crescimento.

Emergentes como o Brasil, no entanto, se opõem à ideia de uma reserva central nas mãos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Sobre a mesa também será colocada a questão da coordenação da política monetária e fiscal, em uma tentativa de evitar novos desequilíbrios entre diferentes países como os que provocaram a crise econômica no ano passado.

Essa harmonização implica em uma pressão para que os EUA - primeira economia do planeta - tenha uma maior poupança e para que a China aumente o consumo.

Outro tema que será objeto de debate os excessivos juros cobrados pelos banqueiros no curto prazo, considerados um incentivo para riscos imprudentes.

Os ministros de Finanças do G20 já anunciaram em setembro em Londres um plano para reduzir essas bonificações (culpados, em parte, da crise creditícia de 2008) e países como a França pressionam pela aplicação desse acordo.

Além disso, o grupo abordará outra questão fundamental: o financiamento da luta contra a mudança climática.

Na cúpula que será realizada em dezembro em Copenhague deve sair um novo tratado em substituição ao Protocolo de Kioto, que acaba em 2012.

Os países ricos e mais poluentes terão de entrar em acordo sobre como ajudar os mais pobres a aplicar medidas de redução de emissões de gases sem prejudicar o desenvolvimento econômico.

De Saint Andrews não se esperam novas e grandes iniciativas, embora Darling deixou uma mensagem aos colegas nesta sexta-feira: "ou tomamos medidas e impedimos que os problemas (mudança climática) ocorram ou fracassamos e assumimos enormes custos futuros".

A maior parte da cúpula será realizada neste sábado. A partir das 16h no horário local (14h em Brasília), esta prevista uma série de reuniões lideradas por Alistair Darling, que na qualidade de anfitrião, e o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner.

O G20 é integrado pela União Europeia (UE), o Grupo dos Oito (G8, EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Rússia) e Coreia do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul e Turquia.

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