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06/11/2009 - 16h43

Desemprego recorde força Obama a estender ajuda a americanos

Washington, 6 nov (EFE).- O Governo dos Estados Unidos informou hoje que o índice de desemprego no país subiu para 10,2% em outubro, o mais alto em 26 anos, e o presidente Barack Obama promulgou a extensão do subsídio para as pessoas sem trabalho.

"A história mostra que a recuperação do mercado de trabalho sempre é mais lenta que a reativação da economia", afirmou Obama na Casa Branca.

"Devemos persistir em nossos planos para criar emprego, e não retrocederemos até que todos os americanos contem com empregos que permitam que alimentem suas famílias", ressaltou.

O Governo federal aprovou desde 2008 extensões do seguro-desemprego. A promulgação de hoje dá 14 semanas adicionais de ajudas a todas as pessoas cujos benefícios já se esgotarão ou se esgotarão até o fim do ano.

Nos estados onde o índice de desemprego supera 8,5%, a extensão aprovada chega a 20 semanas, o que elevará o programa a 99 semanas de subsídio, o mais longo na história do país. Em geral, a ajuda se aproxima de US$ 300 semanais.

"Se não se estendesse o seguro-desemprego, poderíamos ter pelo fim do ano mais 1,2 milhão de pessoas sem esse benefício", disse em coletiva de imprensa a secretária de Trabalho, Hilda Solís, que considerou a situação "inaceitável".

A economia dos EUA, que entrou em recessão em dezembro de 2007 e ainda não saiu oficialmente dela, perdeu nesse período mais de 7,3 milhões de empregos. Em outubro, 190 mil vagas desapareceram.

O número de desempregados chega a 15,7 milhões, 0,4 ponto maior sobre o índice de setembro e o mais alto desde abril de 1983, seis meses após o fim oficial da recessão durante o primeiro mandato de Ronald Reagan.

Cerca de 5,6 milhões de pessoas ficaram sem trabalho por mais de seis meses - o período normalmente coberto pelo seguro-desemprego -, o que representa o nível sem precedentes de 35,6% dos desocupados.

"A economia estava em queda livre em janeiro, e a perda mensal de empregos rondava os 700 mil postos de trabalho" quando a gestão Obama começou, lembrou Solís.

"No terceiro trimestre a economia registrou seu primeiro crescimento em um ano, e a reativação melhorará o panorama do emprego", apontou.

Para Heide Shierholz, analista do Instituto de Política Econômica, um grupo independente em Washington, "o plano econômico desta Administração freou a queda (do PIB), mas a magnitude de queda foi tão grande que (o estímulo) não foi suficiente para impedir que siga o desemprego continuasse crescendo".

"Os números de hoje dão uma voz de alerta", disse Shierholz, que considerou que "o Governo e o Congresso devem autorizar despesas adicionais para um alívio econômico e a criação de empregos".

Já o deputado Mike Pence, republicano de Indiana, destacou que "as famílias em todo o país estão devastadas pela realidade de um alto índice de desemprego".

"É difícil encontrar um amigo ou um parente que não seja afetado pelo desemprego", comentou. "Os problemas que encaram nossas famílias e as pequenas empresas são óbvios", continuou.

A diretora do Conselho de Assessores Econômicos da Presidência, Christina Romer, afirmou que "o relatório sobre o desemprego contém sinais de esperança sobre uma recuperação, e provas dolorosas da contínua fraqueza do mercado de trabalho".

Ressaltou, como exemplo, que "os serviços de emprego temporário, que são tipicamente um dos primeiros setores a mostrar ganho de postos de trabalho, tiveram um aumento de 33.700 vagas em outubro".

"A indústria de veículos também teve aumento de emprego", acrescentou.

O relatório do Departamento de Trabalho mostrou uma queda em outubro de 61 mil vagas no setor fabril, que em setembro teve perda de 45 mil empregos. A indústria automotiva, no entanto, ganhou 4.600 postos.

O setor da construção, que em setembro tinha perdido 68 mil empregos, teve em outubro redução de 62 mil trabalhos.

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