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15/11/2009 - 19h35

Zelaya recusa acordo sobre restituição e dá guinada em crise hondurenha

Germán Reyes.

Tegucigalpa, 15 nov (EFE).- A decisão do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, de comunicar aos Estados Unidos que não aceita mais nenhum acordo para sua restituição no poder deu uma guinada na crise política hondurenha.

"Essa carta ao presidente americano, Barack Obama, pode indicar que o presidente Zelaya estaria agilizando sua saída da Embaixada do Brasil (em Tegucigalpa)", onde está refugiado desde 21 de setembro, "mas só ele sabe disso", disse à Agência Efe um colaborador próximo ao governante deposto.

Zelaya voltou a se referir hoje à carta que enviou neste sábado ao presidente dos EUA, cujo Governo criticou, e ressaltou, em declarações à rádio "Globo", que não renunciou à Presidência de Honduras.

"Meu mandato presidencial termina o 27 de janeiro de 2010", destacou Zelaya, ao considerar que "nem o Congresso Nacional, nem a Suprema Corte de Justiça" podem tirá-lo do poder.

O governante deposto ressaltou que enviou a carta a Obama, na qual lhe diz que não aceitará "nenhum acordo" para sua restituição no poder, em sua qualidade de presidente de Honduras.

"Como presidente, não vou fazer nenhum acordo. Eu renuncio a continuar falando com o senhor (presidente de fato, Roberto) Micheletti, renuncio a continuar aceitando este diálogo falso, mentiroso, que serviu apenas para fortalecer o regime e debilitar os EUA", enfatizou.

Em um discurso durante uma missa celebrada na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, Zelaya falou do ex-presidente americano Abraham Lincoln (1861-1865), que "deu um exemplo ao povo americano que agora este Governo não quer seguir".

"Estes não são descendentes de Lincoln. Negam Lincoln porque estão querendo apoiar eleições aqui em guerra", em alusão ao pleito marcado para o próximo dia 29 em Honduras.

O sacerdote Andrés Tamayo, um dos acompanhantes de Zelaya na embaixada brasileira, também disse ao celebrar a missa que "o presidente não renunciou à Presidência".

"O que (Zelaya) não aceita é a restituição (no poder) para passar a limpo o golpe" de Estado de 28 de junho, acrescentou Tamayo.

Em sua carta a Obama, Zelaya diz que, "a partir desta data, qualquer que seja o caso, eu não aceito nenhum acordo de retorno à Presidência", o que foi interpretado como uma renúncia por alguns setores da sociedade hondurenha, segundo a rádio "Globo".

A mensagem de Zelaya a Obama não interromperá o processo do Congresso de Honduras para decidir sobre a restituição do presidente deposto, disse à Agência Efe Ramón Velázquez, vice-presidente do Legislativo.

"Estamos obrigados a seguir", afirmou Velázquez, porque "o Congresso tem um compromisso de apoiar o que foi acordado e, além disso, já tem uma solicitação formal para dar uma decisão".

No último dia 29, as comissões que representavam Zelaya e Micheletti assinaram um acordo encaminhado a resolver a crise política do país. Entre outros pontos, o texto estabelece que o Congresso deve decidir se restitui ou não o presidente deposto, sem prazo fixado para a decisão.

O Parlamento aguarda decisões do Supremo hondurenho e de outros órgãos do Estado para debater o caso de Zelaya, que no último dia 7 considerou o acordo como rompido por divergências com Micheletti sobre a integração de um Governo de reconciliação, também estabelecida no documento.

Velázquez comentou que Zelaya mostrou "inconsistências" em suas posições, mas, "como é um documento escrito, terá que dar credibilidade ao caso".

A frente de resistência que apoia Zelaya "está totalmente de acordo com a carta" a Obama e "respeita" a decisão do presidente deposto de rejeitar qualquer acordo sobre sua restituição, disse à Efe o coordenador desse movimento, Juan Barahona.

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