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11/12/2004 - 15h52
Partido pró-independência perde eleição em Taiwan



Por Richard Dobson e Baker Li

TAIPÉ (Reuters) - O partido do presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, sofreu uma derrota inesperada nas eleições deste sábado. O resultado provavelmente será bem recebido em Pequim, considerado um revés do que considera um movimento perigoso para a independência da ilha em relação à China.

Para analistas políticos, o resultado indica que os eleitores estão preocupados com as intenções de Chen para criar uma identidade taiwanesa separada, e Pequim deverá ficar contente com o fato de o oposicionista Partido Nacionalista, que defende um relacionamento mais próximo com a China, ter conseguido manter o controle do Parlamento.

"Nós não queremos guerra. Nós não queremos que nosso governo tome o caminho da provocação e crie tensões", disse triunfante o líder do Partido Nacionalista, Lien Chan, durante entrevista coletiva, enquanto centenas de partidários agitavam bandeiras da legenda e disparavam fogos de artifício.

"Esperamos que possamos manter o status quo entre os dois lados", disse, referindo-se às relações com Pequim.

A televisão estatal chinesa noticiou o resultado eleitoral, mas não houve uma manifestação oficial do Departamento de Assuntos de Taiwan, órgão do governo chinês responsável pela política em relação à ilha, considerada por Pequim como um território rebelde. A China ameaçou atacar Taiwan se o governo democrático da ilha declarasse autonomia formal.

O Partido Nacionalista, também conhecido como Kuomintang, conquistou 114 das 225 cadeiras no Parlamento, incluindo aquelas obtidas pelos aliados Primeiro Partido Popular e Novo Partido. Outros dois assentos foram ganhos por nacionalistas que concorriam ao cargo de forma independente.

A oposição derrotou a legenda de Chen, o Partido Democrático Progressista e seu aliado pró-independência, União Solidária de Taiwan, que juntos elegeram 101 parlamentares. As demais vagas foram preenchidas por candidatos independentes e outros grupos, informou a comissão eleitoral de Taiwan.

A maior parte dos analistas esperava que nenhum dos partidos obtivesse maioria no Parlamento.

"O povo estava dizendo que talvez as recentes declarações de Chen e suas políticas fossem muito radicais", disse Andrew Yang, analista do Conselho Chinês de Estudos Políticos Avançados, um importante instituto privado de Taipé.

CHEN PEDE UNIÃO

Chen esperava obter o controle do Parlamento para avançar com políticas consideradas por analistas como antagônicas aos interesses de Pequim. Ele havia prometido à população realizar um referendo sobre uma nova Constituição em 2006, caso seu partido vencesse a eleição deste sábado.

Este plano sofre agora um revés com a vitória dos nacionalistas, uma vez que dois terços dos parlamentares precisariam aprovar emendas constitucionais.

"O fim da eleição deve ser o início da reconciliação e da cooperação", disse Chen, acrescentando que havia aceitado integralmente o resultado da votação. "Deixem-nos unir Taiwan, estabilizar as relações em Taiwan e trabalhar juntos pela prosperidade econômica."

A China está convencida de que Chen planeja declarar autonomia formal antes do término de seu segundo mandato, em 2008, e já apontou mais de 600 mísseis contra a ilha em preparativo de guerra. Chen prometeu não realizar um referendo sobre a independência da ilha, mas mantém uma posição firme sobre a soberania do território.

Taiwan e China separaram-se depois que os nacionalistas perderam a guerra civil na China para os comunistas, em 1949, e fugiram para a ilha levando todo o governo da República da China.