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Rio de Janeiro
01/10/2004 - 00h19Debate é marcado por bate-boca entre Maia e Conde
Da Redação
O último debate entre os candidatos a prefeito do Rio antes do primeiro turno, exibido pela Rede Globo na quinta-feira (30), foi marcado pelos ataques ao atual prefeito, Cesar Maia (PFL), e pelo bate-boca e ataques pessoais entre ele e o vice-governador Luiz Paulo Conde (PMDB), seu ex-aliado.
Usando seu direito de resposta, Maia atacou Conde e disse que quando o adversário era prefeito, duas empresas de arquitetura em nome dele teriam tido um aumento considerável em seu faturamento. Conde começou a falar junto com Maia, classificando a acusação como "vil". A apresentadora Leilane Neubarth chegou a interromper o debate e pediu para que os candidatos se ativessem às propostas: "Crítica mútua não leva a muita coisa. Volto a pedir que vocês falem de suas propostas", disse. Mesmo assim, Maia ameaçou fazer outras acusações a Conde e disse que viriam "coisas piores". Primeiro Bloco Já no primeiro bloco Conde havia feito críticas à gestão Cesar Maia. Conde disse que os atendimentos nos hospitais municipais caíram em 7 mil, enquanto nos hospitais estaduais e federais o atendimento subiu em 30%. Maia disse que Conde "não é bom de número" e que o Estado do Rio está sendo processado por não ter investido 6% do orçamento na saúde, e não 10% como obriga a lei. Na tréplica, o ex-prefeito Conde (1997-2000) disse que era "bom de número" e que os valores apresentados eram do SUS (Sistema Único de Saúde). A deputada federal e médica Jandira Feghali (PC do B) classificou o quadro da saúde hoje como "caótico", enquanto Jorge Bittar (PT) acusou a prefeitura de ter aplicado os recursos direcionados à sáude no mercado financeiro e que "alguém que não é do ramo" foi colocado na Secretaria de Saúde. Até o programa Favela-Bairro, carro-chefe da gestão Cesar Maia, foi criticado pelo candidato Marcelo Crivella (PL). "Eu vejo o Favela-Bairro com bons olhos, mas temos que fazer mais. É preciso terminar a casa das pessoas, fazer telhados e janelas, portas, pisos. Isso custa tão pouco, sr. prefeito." Segundo bloco A candidata Jandira Feghali reclamou das regras do debate e disse que Maia estava sendo favorecido pela emissora. A candidata se voltou contra o petista e perguntou se ele, que votou a favor do atual salário mínimo e da taxação dos inativos, iria adotar medidas desse tipo caso fosse eleito. Bittar defendeu o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as posições tomadas na Câmara Federal e lembrou que sua adversária é de um dos partidos que compõem a base do governo, o PC do B. "O fato de sermos da base do governo não significa que tenhamos que ser vaca de presépio e chapa branca. Nó não temos que votar tudo o que o governo quer", respondeu a deputada, que também criticou o presidente Lula por ter dato status de ministro ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Terceiro bloco Cesar Maia e Conde elogiaram o Partido dos Trabalhadores. O primeiro, pela aliança que o PFL fez com o PT em Nova Iguaçu e Niterói. "Pretendo trabalhar com o Lindberg (Nova Iguaçu) e com o Godofredo (Niterói), independente do partido". Jorge Bittar (PT) agradeceu o "entusiasmo" do prefeito do Rio com seu partido. Já Luiz Paulo Conde (PMDB) elogiou a criação do Bilhete Único, implementado pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT). Pagando uma passagem de R$ 1,70 o usuário pode pegar quantos ônibus quiser no espaço de duas horas. "O número de passageiros aumentou", disse Conde, que defende a tarifa a R$ 1. A candidata Jandira Feghali (PC do B) criticou o Bilhe Único - disse que duas horas é pouco pois, no Rio, usuários gastam até 4 horas para se locomover. Ela criticou também o baixo número de fiscais (13, segundo ela) para os transportes e afirmou que dois empresários controlam as concessões do setor. Sobre parcerias da prefeitura com os governos federal e estadual, Bittar disse que a falta de diálogo de Cesar Maia "é um dos aspectos mais negativos" da gestão dele. O ex-prefeito aproveitou para pedir desculpas por ter se exaltado no bloco anterior. "Não sou ator. Quando vejo mentiras contra mim, tenho que reagir com energia. Vou me controlar, mas sou humano, saio dos trilhos", justificou. Quarto bloco Jandira seguiu com ataques a Maia. A deputada questionou o prefeito sobre a importância e a seriedade dos institutos de pesquisas nas eleições. O prefeito disse que o problema era grave, já que havia um número grande de institutos. Em sua tréplica, Jandira leu trecho de um livro no qual Maia, segundo interpretação da candidata, dizia ter comprado uma pesquisa do instituto Vox Populi para aparecer em primeiro lugar na eleição para prefeito em 2000. Maia argumentou dizendo que a declaração era uma referência à necessidade que sua candidatura tinha de obter o resultado da pesquisa. Nesse momento, ele aproveitou para dizer que os atuais levantamentos têm mostrado que a única dúvida nas eleições do Rio é saber se haverá ou não segundo turno entre ele e Crivella. O outro confronto nesse bloco foi entre Bittar e Crivella. O candidato petista questionou o bispo sobre a separação entre religião e política e disse que estava preocupado com a aproximação entre essas duas esferas por parte do candidato, que é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Bittrar acusou ainda o senador de falta de ética por usar a religião como instumento político e a TV para fazer campanha. Crivella disse que sempre separou as duas coisas. "O político e o refligios querem basicamente a mesma coisa, que é o bem comum", respondeu. Quinto bloco Conde encerrou sua participação dizendo que o prefieto "quer o Crivella no segundo turno". O senador Crivella se despediu prometendo "mudar o Rio com justiça social". "Foi isso que fiz com recursos próprios, lá no sertão, com mais de R$ 10 milhões para ajudar essas crianças carentes (...) Há tantas crianças na rua, quero ser o prefeito que vai tirá-las de lá." Jandira afirmou que o debate "conseguiu reproduzir o que foram os últimos doze anos. Ao mesmo tempo, o debate mostrou as incoerências das alianças da esquerda com a direita, da esquerda que vota contra o aposentado e defende o aumento do superávit primário." Maia foi o último a falar. "45 dias de programa de televisão. Fui diariamente insultado, caluniado. Consegui, por isso, 44 minutos de direito de resposta. Vim aqui [ao debate] e dei um pequeno troca que se transformou nesse confronto."
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