! Apoio da esquerda sul-americana deu vantagem a Prodi-sociólogo - 11/04/2006 - Reuters


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11/04/2006 - 20h03
Apoio da esquerda sul-americana deu vantagem a Prodi-sociólogo



Por Ricardo Amaral

BRASÍLIA (Reuters) - O apoio dos partidos de centro-esquerda que governam os maiores países da América do Sul foi decisivo para garantir a vantagem da coligação Unione nas eleições italianas de domingo e segunda-feira, afirmou o sociólogo Fabio Porta, candidato a deputado italiano pelo PDS na circunscrição sul-americana.

Apesar de os resultados oficiais terem mostrado que a Unione, liderada por Romano Prodi, conquistou a maioria nas duas casas do Parlamento, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi disse que a contagem dos votos havia sido muito apertada e pediu uma revisão.

A América do Sul a senadora argentina Mirella Giaia pela Unione e outro candidato independente, de acordo com os resultados da apuração de mais de 90 por cento dos votos. A coligação de centro-esquerda também conquistou uma das três cadeiras de deputado na região, garantindo a apertada maioria da coligação liderada por Prodi. A venezuelana Marisa Bafile foi a eleita pela Unioni.

Há 692 mil italianos e descendentes registrados como eleitores na América do Sul. Deste total, 356 mil votaram nas eleições de domingo, a maioria contra o governo de Silvio Berlusconi.

"As boas relações da centro-esquerda italiana com os governos de Lula, Kirchner, Chávez e Vazquez contribuíram muito para esse resultado", disse Porta nesta terça-feira, referindo-se aos presidentes do Brasil, Argentina, Venezuela e Uruguai.

"Além da afinidade política, os eleitores do continente votaram por uma aproximação comercial entre a Itália e o Mercosul, que está no programa da Unione", acrescentou Porta, que não conseguiu a vaga.

O governo Berlusconi privilegiou o comércio com os Estados Unidos e a Rússia, em detrimento da América do Sul, lembrou o sociólogo. Prodi, ex-presidente da Comissão Européia, defende a aproximação comercial com a América do Sul.

O Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deu apoio formal à chapa de candidatos da Unione da América Latina. Líderes de outros partidos brasileiros de centro-esquerda, como o PPS (ex-partido Comunista) e o PSDB, ambos de oposição a Lula, também apoiaram os candidatos da Unione.

"O processo político italiano conseguiu produzir uma unidade entre os partidos de centro-esquerda no Brasil, apesar de eles serem adversários na política nacional", disse Porta.

Em outubro de 2005, em viagem a Roma, o presidente Lula teve um encontro com Prodi e outros líderes da oposição italiana. Segundo fontes do governo brasileiro, os políticos dos dois países trataram de uma cooperação futura, prevendo uma vitória da centro-esquerda, que acabou ocorrendo de maneira dramática, por margem mínima.

PRIMEIRA-DAMA

Pouco depois desse encontro, o ex-primeiro ministro Massimo Dalema criticou a nova legislação eleitoral, criada pelo governo Berlusconi, que estendeu o voto por correspondência ao descendentes de italianos que vivem em outros países.

"Imigrantes que trabalham na Itália não são eleitores, mas a mulher do Lula poderá votar nas eleições", queixou-se Dalema. A primeira-dama brasileira Marisa Letícia Lula da Silva é neta de italianos, é cidadã, mas seu registro como eleitora ainda estava em andamento e ela não pôde participar da votação.

A circunscrição da América do Sul foi a que registrou o maior comparecimento proporcional de eleitores no estrangeiro, segundo página do Ministério das Relações Exteriores da Itália na Internet, com participação de 42,07 por cento dos registrados.

A Argentina é o país do continente com o maior número de eleitores registrados, 356 mil, dos quais 200 mil (56 por cento) participaram das eleições. O Brasil tem 166 mil eleitores registrados e 75,5 mil (45 por cento) participaram das eleições.

O maior comparecimento percentual foi no Uruguai, onde 63 por cento (30 mil pessoas) dos eleitores mandaram seus votos pelo correio. Em seguida, veio a Venezuela também com 30 mil eleitores, 50 por cento do total registrado no país.

Oito chapas disputaram as eleições italianas no continente sul-americano.