! Alckmin leva vantagem nas alianças com governadores candidatos - 22/05/2006 - Reuters


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22/05/2006 - 15h31
Alckmin leva vantagem nas alianças com governadores candidatos



Por Ricardo Amaral e Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - Faltando três semanas para a temporada de convenções partidárias, de 10 a 30 de junho, PT e PSDB buscam apoio formal ou informal de candidatos aos governos dos Estados, na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano Geraldo Alckmin pelo Palácio do Planalto.

Pelo menos vinte dos 27 governadores vão disputar a reeleição em outubro e são considerados moeda forte no mercado das alianças. Alckmin já garantiu o apoio de nove deles e deve receber mais dois do PMDB. Lula tem quatro e também deve ganhar mais dois peemedebistas.

Dentre os governadores que não disputam as eleições, Alckmin conta ainda com o paulista Cláudio Lembo (PFL), seu antigo vice, e espera receber a adesão da governadora do Rio, Rosinha Matheus (PMDB), adversária do governo federal.

Lula tem aliados competitivos em todos os Estados. Em alguns, terá o apoio de dois e até três candidatos a governador, além de jogar com palanques "abertos", de candidatos do PSDB e do PFL que, por conveniência local, serão aliados dos lulistas.

Dirigentes dos principais partidos políticos traçaram o mapa dos palanques para a Reuters. Constataram que a regra da verticalização apenas reduziu o número de candidatos presidenciais, pois as alianças locais serão de todo gênero.

"Há lugares em que estaremos com PSDB e PFL, outros em que estaremos com o PT e outros em que enfrentaremos todos eles", resumiu o deputado Eunício Oliveira (CE), da executiva do PMDB.

PMDB e PFL tentam manter ou ampliar o controle de governos estaduais. Para os partidos menores, o objetivo é garantir existência legal, obtendo cinco por cento dos votos para a Câmara dos Deputados em pelo menos nove Estados.

"Faremos coligações nos Estados para sobreviver em Brasília", disse o deputado Renato Casagrande (ES), dirigente do PSB.

BATALHA PELO PMDB

Lula cobrou do PT acordos com os governadores candidatos de Santa Catarina, Luiz Henrique, e do Paraná, Roberto Requião, ambos do PMDB. O PT espera manter Requião, pois Luiz Henrique, que o apoiou em 2002, está cada vez mais próximo de Alckmim. O PT lançou em Santa Catarina o ex-ministro José Fritsch.

No Rio Grande do Sul, o governador Germano Rigotto deve apoiar Alckmin, pois seu principal adversário é o petista Olívio Dutra. Rigotto espera que o PSDB retire a candidatura da deputada Yeda Crusius para anunciar seu apoio ao tucano.

No Espírito Santo, o governador Paulo Hartung, também do PMDB, deve repetir uma ampla aliança regional, na qual o PT entrará se desistir de lançar o candidato Cláudio Vereza.

O PMDB de São Paulo está mais próximo do PSDB do que do candidato petista, Aloízio Mercadante. O ex-governador Orestes Quércia e o deputado Michel Temer são cotados como candidatos a vice do tucano José Serra, que tem apoio do PFL.

Em Minas Gerais, o partido apoiará a reeleição do governador tucano Aécio Neves, mas o ministro Hélio Costa (Comunicações) ficará com o candidato do PT, Nilmário Miranda.

No Rio de Janeiro, o candidato favorito, segundo as pesquisas, é o senador Sérgio Cabral, do PMDB. Cabral deve ceder o palanque a Alckmin no primeiro turno, para garantir o apoio da governadora Rosinha e do ex-governador Anthony Garotinho, que tentou, mas não deve obter a legenda para disputar o Planalto.

MÚLTIPLOS E "ABERTOS"

Lula terá o apoio de três candidatos ao governo de Pernambuco: Eduardo Campos (PSB), Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro (PTB), mas o atual governador, Mendonça Filho (PFL), lidera as pesquisas e apóia Alckmin.

Lula terá pelo menos dois palanques também na Bahia, Jaques Wagner, do PT, e João Durval, do PDT; em Goiás, Maguito Vilela, do PMDB, e Barbosa Neto, do PSB; no Tocantins, o governador Marcelo Miranda, do PMDB, e Leomar Quintanilha, do PCdo B; no Amazonas, governador Eduardo Braga, do PMDB, e Eron Bezerra, do PCdoB; em Rondônia, Amir Lando, do PMDB, e Fátima Cleide, do PT; e no Distrito Federal, Arlete Sampaio, do PT, e Agnelo Queiroz, do PCdoB.

No Rio, Lula terá o apoio de Wladimir Palmeira (PT) e de Marcelo Crivela, candidato do PRB, mas Geraldo Alckmin terá, além de Sérgio Cabral, os palanques de Eduardo Paes (PSDB) e do pefelista Eider Dantas. O tucano também terá dois candidatos no Amazonas: Amazonino Mendes (PFL) e Artur Virgílio (PSDB).

O palanque "aberto", que comporta lulistas e tucanos, será opção do senador Teotônio Vilela, ex-presidente nacional do PSDB, para acomodar uma ampla aliança na disputa pelo governo de Alagoas. Ali, Lula terá como aliado formal um adversário histórico: o usineiro João Lyra, ligado à família Collor de Melo, que disputa a eleição pelo PTB.

GOVERNADORES CANDIDATOS

Alckmin terá apoio dos governadores candidatos Aécio Neves (PSDB, Minas), José Alcides (PSDB, Goiás), Paulo Souto (PFL, Bahia), João Alves (PFL, Sergipe), Mendonça Filho (PFL, Pernambuco), Cássio Cunha Lima (PSDB, Paraíba), Lúcio Alcântara (PSDB, Ceará), Simão Jatene (PSDB, Pará) e Ottomar Pinto (PSDB, Roraima), além da governadora do Distrito Federal, Maria de Lurdes Abadia (PSDB), caso ela decida disputar a reeleição

Lula tem Marcelo Miranda (PMDB, Tocantins), Wellington Dias (PT, Piauí), Wilma de Faria (PSB, Rio Grande do Norte) e Eduardo Braga (PMDB, Amazonas).

Também são candidatos Blairo Maggi (Mato Grosso) e Ivo Cassol (Rondônia), ambos do PPS, e Valdez Goes (Amapá) do PDT. Os dois partidos devem ter candidatos ao Planalto.