! Mexicanos divididos votam por novo presidente - 02/07/2006 - Reuters


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02/07/2006 - 15h23
Mexicanos divididos votam por novo presidente



Por Pablo Garibian

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Os mexicanos vão às urnas neste domingo para escolher o novo presidente, em eleições que podem determinar a continuidade da direita no poder ou dar a primeira chance à esquerda de governar a segunda economia latino-americana.

Com as pesquisas mostrando os mexicanos divididos entre o esquerdista Andrés Manuel López Obrador e o governista Felipe Calderón, o vencedor enfrentará um Congresso dividido que poderá bloquear reformas, em um país com sólidas finanças mas com a metade da população vivendo na pobreza.

Apesar de seu discurso crítico das privatizações e promessas de fortalecer o papel do Estado, López Obrador afirmou que seu governo respeitará os fortes laços comerciais entre o México e os Estados Unidos.

Mas o candidato do Partido da Revolução Democrática (PRD) chega às eleições com apenas uma leve vantagem sobre Calderón, segundo as pesquisas, enquanto em terceiro lugar está Roberto Madrazo, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que se promove como uma alternativa moderada entre a direita e a esquerda.

Desde as grandes cidades e balneários nas costas do Pacífico e do Caribe, até povoados coloniais na serra e nas florestas, milhões de mexicanos começaram a votar às 10h00 (horário de Brasília).

Também serão escolhidos nas eleições deputados federais e alguns governadores estaduais.

Alguns locais de votação abriram com atraso, mas isso não impediu que os candidatos votassem antes do meio-dia. López Obrador e Calderón votaram na capital mexicana e Madrazo em Villahermosa, no estado de Tabasco.

"Esperamos um clima de limpeza, esperamos eleições tranquilas", disse Madrazo, cujo partido governou durante sete décadas ininterruptas e era acusado de corrupção e fraude eleitoral. "Com um só voto se ganha e nós apostamos nisso", acrescentou.

Cerca de 800 pessoas se reuniram no monumento do Anjo da Independência, no centro da Cidade do México, para protestar contra todos os candidatos em um ato convocado pela guerrilha zapatista.

"É um grito de inconformidade com o governo e com os candidatos. É uma demonstração pacífica contra as pessoas no poder", disse Eduardo, um estudante de 23 anos com seu rosto coberto.

MUDANÇA PARA ESQUERDA OU CONTRAPESO?

Espera-se que o Parlamento continue dividido entre as três principais forças. Se isso acontecer, quem ganhar terá que negociar constantemente com o Poder Legislativo para evitar que aconteça o mesmo que ocorreu com o presidente Vicente Fox, que encontrou uma parede da oposição para todas as reformas estruturais.

Se López Obrador vencer, será a primeira vez que um esquerdista chega ao poder no México e será mais uma nação a engrossar a lista de países latino-americanos que nos últimos tempos optaram por governos social-democratas ou nacionalistas após anos de administração neo-liberal.

Cerca de 71 milhões de mexicanos estão habilitados para votar e calcula-se que em torno de 30 milhões chegarão às urnas indecisos, em um país onde o mandato presidencial é de seis anos, o voto não é obrigatório e não existe reeleição.

"Ao chegar no local de votação vou ver em quem voto. É que todos andam dizendo o mesmo", disse Osiel Reyes, um operário de 25 anos em Chalco, um povoado agrícola nos arredores da capital mexicana.

Os primeiros resultados oficiais das eleições serão divulgados pelas autoridades a partir de 01h00 (horário de Brasília).