! Em tom emocional e sem ataques, Serra e Marta fazem último apelo por votos - 29/10/2004 - UOL Eleições 2004 - São Paulo


São Paulo
29/10/2004 - 21h12
Em tom emocional e sem ataques, Serra e Marta fazem último apelo por votos

Da Redação

 
No último apelo por votos no encerramento da propaganda eleitoral na TV, os candidatos à Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (PT), recorreram ao tom emocional, sem ataques. Ambos mostraram suas respectivas atuações no ministério da Saúde e na prefeitura paulistana.

Marta disse que vai guardar "no coração" o depoimento de seus eleitores ao longo da campanha eleitoral. "O que eu ouvi pelas ruas superou minhas expectativas."

Já Serra preferiu falar de sua "origem humilde", no bairro da Mooca, do "orgulho de ser professor" e sobre personalidade e caráter. "Ofereço a você a minha história de vida".

Marta

A prefeita, que concorre à reeleição, abriu a propaganda. Criticada ao longo da campanha por ter sugerido "medo" com a possível vitória do tucano, Marta usou hoje a palavra "receio" para pedir votos. Ela disse que, caso José Serra (PSDB) seja eleito, seus projetos vão parar.

Com a vitória de Serra, programas implementados por ela podem "minguar, quando não serem interrompidos". "Eu tenho muito receio que isso venha a acontecer." Ela afirmou também que "o Serra pode dizer mil vezes que vai continuar os meus projetos, mas não vai".

Para ela, "não é justo" que os eleitores votem em Serra. Ela repetiu o que vinha dizendo desde o primeiro programa no primeiro turno: "eu sei que não pude fazer tudo o que gostaria" nos últimos quatro anos. A prefeita repetiu também que pegou a prefeitura, após a gestão de Celso Pitta (1997-2000), em dificuldades, mas, segundo ela, Deus lhe deu "força" para lutar.

Sobre os CEUs (Centro Educacional Unificado), Marta disse que, se as crianças votassem, já estaria reeleita "desde o primeiro turno". Ela afimrou também que ouve relatos da população que elogiam o Bilhete Único, uma das bandeiras de sua campanha.

Ao fim do programa foi exibido um "clipe" com uma versão adaptada da música "Carinhoso" (Pixinguinha e João de Barro) com imagens de Marta na campanha.

As últimas imagens ficaram por conta das últimas pesquisas de opinião, divulgadas pelo Datafolha e pelo Ibope. Um jingle falava em "virada" e populares pediam para Marta ficar mais quatro anos.

Serra

O programa de Serra começou mostrando as pesquisas de opinião do Datafolha e Ibope, que mostram o tucano à frente desde o início da campanha para o segundo turno.

O governador Geraldo Alckmin, maior cabo eleitoral do candidato tucano nessas eleições, voltou a aparecer e pedir votos para Serra, dizendo que "domingo é o dia de votar bem por São Paulo".

Depois, com a exibição de diversas imagens de pessoas abraçando Serra, elogiando projetos de sua gestão à frente do Ministério da Saúde e também como deputado federal, o tom emocional dominou o programa, com as já tradicionais imagens de pessoas chorando e agradecendo ao candidato tucano, com a voz de um locutor ao fundo, destacando as realizações do candidato do PSDB.

Somente no fim do programa é que Serra apareceu, dizendo que a eleição é "uma decisão entre histórias de vida".

Aproveitou para reforçar a idéia de que nasceu em família humilde, no bairro da Mooca (zona Leste da capital), no que pareceu ser uma tentativa de sensibilizar os eleitores de baixa renda, que se mostraram mais propensos a votar em Marta.

Serra também falou sobre ser professor, o que o faz "buscar um ensino de mais qualidade para as crianças de nossa cidade".

Suas críticas à Marta foram menos contundentes, mantendo o tom dos últimos dois dias. Disse só "não se conformar com um prefeitura que tem dinheiro para túneis, mas não para os remédios".

Terminou o último programa novamente falando sobre seu passado político. "A você ofereço minha história de vida, meus 20 anos de vida pública", concluiu.