09/04/2008 - 21h15 Americano faz humor com o "estilo de morte" de famosos e anônimos
PATRICIA DE CIA Colaboração para o UOL
Nos Estados Unidos, todas as semanas, mais de 50 milhões de pessoas sintonizam programas de televisão que exibem cadáveres. Essa peculiar atração pela morte e por seus detalhes escabrosos está na origem de duas bem humoradas compilações sobre o "estilo de morte norte-americano", escritas pelo nova-iorquino Michael Largo.
Dentre as curiosidades do livro está a informação de que Sidarta Gautama, o Buda, passou desta para melhor aos 80 após ingerir carne de porco e cogumelos
Depois de dez anos coletando dados sobre o tema, em 2006 ele publicou "Final Exits: The Illustrated Encyclopaedia of How We Die" ("Últimas saídas: Enciclopédia Ilustrada de Como Morremos"). Com boas vendas e um prêmio na bagagem, no ano seguinte lançou "Assim Morreram os Ricos e Famosos - Como foi a morte das grandes personalidades da história", que a Larousse edita agora no Brasil.
Os dois livros têm tudo em comum. São compostos por verbetes em ordem alfabética, com visual de almanaque (tipologia antiquada e fotos em preto-e-branco), e texto bem ao gosto da "trivia", também conhecida como "cultura inútil", incluindo detalhes bizarros e humor ligeiro.
No volume dedicado aos famosos - de diversas épocas e nacionalidades, com predomínio de americanos - você ficará sabendo que Confúcio morreu aos 72 anos, de doença coronária, considerando-se um fracasso; que Sidarta Gautama, o Buda, passou desta para melhor aos 80 após ingerir carne de porco e cogumelos; e que Gene Roddenberry, criador de Jornada nas Estrelas, foi o primeiro morto a ter suas cinzas enviadas para o espaço.
Os pequenos obituários de "Assim Morrem os Ricos" são entremeados por frases, estatísticas e pílulas "históricas". Por exemplo, 16 pessoas tentaram descer as cataratas do Niágara em um barril ou algo semelhante, e seis delas morreram. Um dos sobreviventes, que quebrara todos os ossos na façanha, faleceu aos 67 anos após escorregar numa casca de fruta e bater a cabeça.
Em "Final Exits", Michael Largo documenta estatísticas curiosas sobre a morte, como a expectativa de vida de um "gangster médio"
"Final Exits", organizado segundo as causas de morte, tem dezenas de histórias desse tipo, como a do diabético vitimado por uma overdose de açúcar depois se afogar num tonel de chocolate.
O livro começa por "Abactio", termo médico para aborto ou parto prematuro induzido por métodos caseiros, e termina com "Zoofatalism", distúrbio psicológico que faz o doente se aproximar demasiado de animais selvagens ou adotá-los como perigosos bichinhos de estimação. Entre eles, há tudo o que você possa imaginar: máquinas de lavar, celulares, combustão espontânea e até perucas.
O interesse de Largo pelo tema vem da infância. O pai dele, policial de Nova York, levava o filho para passear em Manhattan e contava quantas pessoas haviam morrido nas ruas e esquinas da cidade, com riqueza de detalhes. Desde então Largo começou a colecionar "histórias estranhas, fatos curiosos e tudo o que tem relação com a nossa mortalidade".
Assim descobriu que, em 1700, havia menos de 100 causas de morte registradas nos certificados de óbito, enquanto atualmente elas ultrapassam os 3 mil. Mas não houve apenas adições. Afinal, ninguém mais morre de "nostalgia", que oficialmente matou 31.987 pessoas entre 1766 e 1910.
Seguindo a cartilha americana, em que quase tudo tem função edificante, Largo afirma que a leitura de seus livros garante pelo menos dois anos a mais de vida. Se é verdade, não há como comprovar. O certo é que eles proporcionam no mínimo algumas horas de risadas.
"Assim Morreram os Ricos e Famosos" Autor: Michael Largo Tradução: Clara Allain Editora: Larousse Preço: R$ 34,90
"Final Exits: The Illustrated Encyclopaedia of How We Die Autor: Michael Largo Editora: Harper USA Preço: R$ 37,64