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03/04/2005 - 11h35
Corpo de João Paulo 2º é velado no Vaticano

Corpo de João Paulo 2º é velado; veja álbum
Velório é no Palácio Apostólico, onde ficava o apartamento do sumo pontífice; apenas governantes e integrantes da Igreja Católica têm acesso ao local

Da Redação, com informações da Folha Online e das agências internacionais

O corpo do papa João Paulo 2º já está sendo velado no Palácio Apostólico, onde ficava o apartamento do sumo pontífice, no Vaticano. Apenas governantes e integrantes da Igreja Católica têm acesso ao local.

A partir de amanhã (segunda-feira, 4), os fiéis poderão dar seu último adeus a João Paulo 2º. Durante três dias o corpo do papa ficará exposto na basílica vaticana, antes do funeral, que será realizado na quinta-feira.

Também está previsto que amanhã a reunião da congregação de cardeais para decidir os detalhes sobre o funeral e preparar o conclave, que não começará antes de duas semanas.

O funeral de João Paulo 2º, que deve ser realizado na Praça de São Pedro, deve ter a presença de personalidades de todo o mundo. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que vai comparecer.

Ainda faltam ser definidos os detalhes de como será o traslado do corpo para a Basílica de São Pedro.

Diversos líderes políticos e religiosos foram hoje até a Sala Clementina, onde o corpo do pontífice está sendo velado. Entre eles, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi.

O secretário particular do papa, o arcebispo polonês Stanislaw Dziwisz, está no local. Camillo Ruini, vigário-geral da diocese de Roma, ajoelhou-se diante do papa e rezou.

Religiosos de diversas partes do mundo também compareceram. Entre eles, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, um dos mais próximos colaboradores do papa, os cardeais norte-americanos Edmund Szoka e Roger Mahony, e freiras da Polônia.

O espanhol Eduardo Martínez Somalo, camerlengo do Vaticano, fez uma oração em latim na Sala Clementina. Com a morte do papa, a direção da Igreja Católica fica, em caráter interino, a cargo do camerlengo - um cardeal que administra a igreja entre a morte de um papa e a eleição de outro.

Dois guardas foram posicionados ao lado do corpo, que está em frente a uma lareira. Ao lado dela, há um crucifixo e uma vela acesa. Sob a cabeça do sumo pontífice há diversos travesseiros dourados. Ele segura um rosário e calça sapatos de couro marrom.

Missa pela manhã
Na manhã deste domingo (3), dezenas de milhares de pessoas participaram de uma missa em homenagem ao papa, na Praça São Pedro, no Vaticano.

A celebração foi o primeiro grande evento oficial de uma série programada para ocorrer nos nove dias de luto pela morte do papa.

A missa foi celebrada pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Angelo Soldano.

A solenidade durou cerca de duas horas, e um grande esquema de segurança, incluindo o fechamento de diversas ruas em torno do Vaticano, foi montado para organizar o grande afluxo de fiéis.

Ao final da celebração da missa solene, o arcebispo Leonardo Sandri, que ultimamente lia as mensagens e discursos do papa, leu um texto que João Paulo 2º tinha preparado para a missa deste domingo.

No texto, o papa recordava a ressurreição de Cristo e as feridas de sua paixão. O texto dizia ainda que a humanidade parece muitas vezes estar perdida e dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo.

"O Senhor ofereceu seu amor que perdoa, reconcilia e reabre a esperança. É o amor que converte e reabre a esperança", dizia o texto.

De acordo com a tradição, até que seja escolhido um novo pontífice, um alto cardeal do Vaticano comandará a Igreja Católica Romana.

Ele e outros três cardeais decidirão a data do enterro, que tem de ser realizado entre quatro e seis dias após a morte do papa.

Agonia e morte
O papa João Paulo 2º, o polonês que liderou a Igreja Católica Romana por 26 anos e teve um papel vital na queda do comunismo na Europa, morreu na noite deste sábado, informou o Vaticano. Ele tinha 84 anos.

Karol Wojtyla morreu de choque séptico (infecção eneralizada) e colapso cardiovascular irreversível. O choque séptico ocorre quando uma infecção é tão forte que reduz a pressão sangüínea e o fluxo de sangue para órgãos vitais.

O atestado foi assinado pelo médico pessoal do papa, Renato Buzzonetti. Ele também admite oficialmente, pela primeira vez, que João Paulo 2º sofria de mal de Parkinson.

A notícia da morte foi anunciada no sábado (2) para cerca de 60 mil pessoas que acompanhavam os últimos momentos do papa na praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano. Houve um longo aplauso - sinal italiano de respeito. Os sinos dobraram e muitas pessoas começaram a chorar abertamente pelo carismático líder dos 1,1 bilhão de católicos do mundo. Segundo o comunicado oficial, o papa morreu às 21h37 (16h37 de Brasília).

Na noite de quinta-feira (31), o papa teve febre alta e pressão baixa. O pontífice vinha se alimentando por uma sonda nasal e sofria de artrite e mal de Parkinson.

A saúde de João Paulo 2º piorou rapidamente a partir deste ano. O papa passou por duas cirurgias em dois meses.

Na quarta-feira (30), o Vaticano anunciou que o papa estava se alimentando por meio de um tubo nasal para ajudá-lo a se recuperar de uma recente cirurgia na garganta. Horas antes desse anúncio, o papa, pela segunda vez em quatro dias, tentou mas não conseguiu falar em público, gerando mais boatos sobre a deterioração de seu estado de saúde.

Reuters
Mulher exibe retrato de João Paulo 2º na Cracóvia, na Polônia, terra natal de Karol Josef Wojtyla (João Paulo 2º)
A internação anterior ocorreu em 24 de fevereiro, quando o pontífice foi submetido a uma traqueostomia (abertura de orifício na traquéia para possibilitar a respiração). Ficou internado por 18 dias.

Pontificado longo
O pontificado de João Paulo 2º durou 26 anos - o terceiro mais longo da história. Neste período, proclamou 482 santos, mais do que todos os predecessores nos últimos 500 anos.

João Paulo 2º marcou como poucos o século 20, com atuação importante na derrocada do comunismo no Leste Europeu em 1989, viagens por todo o mundo e um grande esforço para revolucionar as relações com outras religiões - ele foi o primeiro papa a entrar em uma sinagoga (em 1986) e em uma mesquita (2001).

Embora quase todos os mais de 1 bilhão de católicos o elogiem por defender os direitos humanos, o papa recebeu críticas pela oposição aos métodos contraceptivos, ao casamento gay e à ordenação de mulheres.

Origem operária
Karol Jozef Wojtyla nasceu em 18 de maio de 1920 em Wadowice, sul da Polônia. Em setembro de 1939, os nazistas ocupam a Polônia e Wojtyla suspende seus estudos. Durante a Segunda Guerra, é fichado pela Gestapo e participa da resistência contra a Alemanha. Trabalha como operário em pedreiras e, mais tarde, nas indústrias químicas "Solvay". Neste período, une-se a um grupo de teatro e interpreta papéis em peças de conteúdo patriótico.

Wojtyla é ordenado sacerdote em novembro de 1946, aos 26 anos. Em 1963, é nomeado arcebispo da Cracóvia e, em 1967, cardeal - aos 47 anos, o segundo mais jovem da Igreja Católica.

Em 16 de outubro de 1978, converte-se, aos 58 anos, no papa mais jovem do século 20 - foi o primeiro pontífice não-italiano desde a eleição do holandês Adriano 6º, em 1522.

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