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04/04/2005 - 15h20
Fiéis começam a se despedir do papa no Vaticano

Corpo é velado na basílica; veja álbum
Fiéis de o todo mundo já podem visitar a basílica de São Pedro, no Vaticano, para dar o último adeus ao papa João Paulo 2º; corpo será enterrado nesta sexta-feira

Da Redação, com informações da Folha Online e das agências internacionais

A basílica de São Pedro foi aberta nesta segunda-feira, às 19h45 (14h45 de Brasília), 15 minutos antes do previsto, para os milhares de fiéis prestarem a última homenagem ao papa João Paulo 2º.

O traslado do corpo da sala Clementina, no Palácio Apostólico (onde era velado por governantes e integrantes da Igreja Católica), para a basílica de São Pedro (onde ficará exposto para visitação pública nos próximos três dias) foi acompanhado por uma multidão e transmitido pela TV ao mundo todo.

AGENDA DO VATICANO
3 a 11.abr.2005:
Nove dias seguidos de homenagens
4.abr.2005:
Reunião decide a data das exéquias
8.abr.2005:
Sepultamento do corpo do papa
17 a 19.abr.2005:
Início do Conclave (reunião do sacro colégio de cardeais, convocado para eleger um novo pontífice)
O corpo foi carregado por 12 homens vestidos de fraque, acompanhado por seis membros da Guarda Suíça, do Vaticano, e chegou à basílica às 17h30 (13h30 de Brasília).

Milhares de pessoas enfrentam uma enorme fila e confusão. Muitos acamparam na praça São Pedro desde a noite de domingo. O Vaticano espera a visita de mais de 2 milhões de pessoas nas próximas horas.

O funeral está previsto para acontecer na sexta-feira (8), às 10h (5h de Brasília). O corpo será enterrado nas Grutas Vaticanas, a poucos metros do túmulo de são Pedro (o primeiro papa).

A cerimônia de sepultamento será presidida pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, que foi um dos mais próximos colaboradores de João Paulo 2º, chefe da Congregação pela Doutrina da Fé e dignitário do Colégio de Cardeais.

Segundo o Vaticano, os cardeais ainda não decidiram a data exata de início do conclave, mas que começará entre os dias 17 e 22, ou seja, entre 15 e 20 dias após a morte.

O funeral terá a presença de cerca de 200 personalidades de todo o mundo. Entre os que já confirmaram presença, estão os presidentes dos EUA (George W. Bush), do México (Vicente Fox) e do Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva).

Missa de domingo
Na manhã de ontem (3), dezenas de milhares de pessoas participaram de uma missa em homenagem ao papa, celebrada pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Angelo Soldano, na praça São Pedro.

A solenidade durou cerca de duas horas, e um grande esquema de segurança, incluindo o fechamento de diversas ruas em torno do Vaticano, foi montado para organizar o grande número de fiéis.

Ao final da missa, o arcebispo Leonardo Sandri, que ultimamente lia as mensagens e os discursos do papa, leu um texto que João Paulo 2º teria preparado para esse domingo.

No texto, o papa recordava a ressurreição de Cristo e as feridas de sua paixão. O texto dizia ainda que a humanidade parece muitas vezes estar perdida e dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo.

"O Senhor ofereceu seu amor que perdoa, reconcilia e reabre a esperança. É o amor que converte e reabre a esperança", dizia o texto.

Agonia e morte
A morte do primeiro papa polonês da história foi divulgada pelo Vaticano às 21h37 do sábado (16h37 de Brasília).

A 48 dias de completar 85 anos, ele comandou a instituição por mais de 26 anos (foi o terceiro pontificado mais longo da história), período em que se destacou pelo conservadorismo moral, pelo caráter globalizado, pela aproximação com outras religiões, pelo fim do comunismo e das guerras.

Karol Wojtyla morreu de choque séptico (infecção generalizada) e colapso cardiovascular irreversível. O choque séptico ocorre quando uma infecção é tão forte que reduz a pressão sangüínea e o fluxo de sangue para órgãos vitais.

O atestado foi assinado pelo médico pessoal do papa, Renato Buzzonetti. Ele também admitiu oficialmente, pela primeira vez, que João Paulo 2º sofria de mal de Parkinson.

A saúde do pontífice se deteriorou com rapidez após o atentado de 1981, quando sofreu perfurações na mão esquerda, no cotovelo direito, no estômago e no intestino (teve retirado 55 cm do órgão) e perdeu 3/4 de todo o sangue.

Numa das transfusões, recebeu sangue contaminado e foi obrigado a sofrer nova operação. Depois, sofreria novas intervenções cirúrgicas, mas o mal de Parkinson seria grande responsável pela piora do sistema nervoso.

Neste ano, piorou muito e foi obrigado a passar por duas cirurgias em dois meses (uma para poder respirar e outra para comer). Clique aqui para ler mais sobre os problemas de saúde que enfrentou e Clique aqui para ler os principais fatos que marcaram sua vida.

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