O colégio de cardeais da Igreja Católica decidiu nesta quarta-feira (6) que o conclave para a escolha do sucessor de João Paulo 2º, morto no sábado, vai começar no dia próximo dia 18, segunda-feira, informou Joaquin Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano.
O conclave terá regras de isolamento mais brandas e anunciará o eleito também com sinos, e não apenas com fumaça branca, informou ontem o arcebispo Piero Marini, mestre de cerimônias do Vaticano.
"Antes, os cardeais ficavam trancados, com as janelas fechadas, dividindo os banheiros. De certa forma, era mais fácil, porque eles estavam todos trancafiados para tomar uma decisão, mas havia muitas dificuldades. Os pobres coitados não podiam sair", disse ele.
| AGENDA DO VATICANO |
3 a 11.abr.2005 Nove dias de homenagens |
8.abr.2005
Sepultamento do corpo do papa |
18.abr.2005 Início do conclave (reunião do sacro colégio de cardeais, convocado para eleger um novo pontífice) |
O conclave foi adotado em 1241, após a morte de Gregório 9º, e a palavra significa "com chave" - os cardeais eram obrigados a permanecer fechados até uma decisão final.
Mudanças na eleição foram definidas por João Paulo 2º. Haverá uma equipe de limpeza, e os cardeais poderão se movimentar internamente pelo Vaticano (até passear pelos jardins). Mas não podem ter contato com o mundo externo, como usar telefone, tv ou outras mídias ou conversar com terceiros.
A Constituição Apostólica proíbe que os cardeais divulguem o resultado das deliberações do conclave sob pena de excomunhão.
Quando o novo papa for escolhido, o Vaticano não só queimará as cédulas, mas também fará soar os grandes sinos da basílica de São Pedro, para que não haja confusão entre a multidão e a mídia para decidir se a fumaça é branca ou preta. A fumaça preta indica uma votação frustrada, em que nenhum cardeal atingiu a maioria necessária.
De acordo com a norma estipulada por João Paulo 2º em 1996, o Santo Padre é definido com 2/3 dos votos mais um, até a 30ª votação. Depois disso, passa a valer a regra da maioria dos votos mais um.
Fila para ver o papa
As filas em direção à basílica de São Pedro, onde está sendo velado o corpo do papa, dobraram de tamanho nas últimas horas. Desde a noite de segunda-feira, ao menos 1,2 milhão de pessoas já passaram pela praça São Pedro.
A basílica fechou as portas aos peregrinos durante três horas na madrugada desta quarta, das 2h às 5h (horário local), para permitir os trabalhos de limpeza e manutenção.
O fluxo de pessoas é incessante. O Vaticano anunciou na noite de terça-feira que entre 15.000 e 18.000 peregrinos passavam a cada hora para se despedir do papa.
O velório público estará aberto até quinta-feira de noite, horas antes da missa funeral.
Funeral
O funeral está previsto para acontecer na sexta-feira (8), às 10h (5h de Brasília). O corpo será enterrado nas Grutas Vaticanas, a poucos metros do túmulo de são Pedro (o primeiro papa).
Pela primeira vez no enterro de um papa, o rosto de João Paulo 2º será coberto com um véu de seda branca, anunciou Marini.
A cerimônia de sepultamento será presidida pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, que foi um dos mais próximos colaboradores do papa, chefe da Congregação pela Doutrina da Fé e dignitário do Colégio de Cardeais.
Segurança especial
A preocupação das autoridades italianas, que mobilizarão quase 15.000 agentes, é garantir a segurança das quase 200 delegações estrangeiras.
No vôo de amanhã para Roma, estarão presentes os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e seus antecessores Fernando Henrique Cardoso e José Sarney.
Da mesma maneira, os EUA estarão representados por George Bush pai e filho e Bill Clinton.
O espaço aéreo romano será fechado ao tráfego amanhã e sexta, sendo liberado apenas para quem tiver autorização expressa. Mísseis estarão apontados para os céus.
Dos dez mil policiais e demais agentes de segurança que estão alocados para as cerimônias, 1.500 ficarão incumbidos de zelar pelos dignitários estrangeiros.
Além da segurança, as autoridades italianas preparam um dispositivo para alojar, transportar e atender aos milhões de católicos da Europa, principalmente da Polônia e Espanha, e de outros continentes que continuam chegando a Roma em trens especiais, aviões, carros, ônibus ou navios.
A prefeitura disponibilizou o campus universitário de Tor Vergata, nas proximidades da cidade, para alojar milhares de peregrinos.