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09/04/2005 - 16h43
Vaticano limita especulações sobre próximo papa

Local onde está enterrado o papa; veja fotos
Vaticano impõe o silêncio aos 116 cardeais eleitores, para que o contato com a mídia não influencie na eleição do próximo pontífice, que começa no dia 18 e não tem prazo definido para terminar

Da Redação, com informações da Folha Online e das agências internacionais

O Vaticano decretou neste sábado a proibição de os cardeais falarem à imprensa, antecipando em oito dias uma das determinações do conclave. A elite da Igreja Católica agora só se pronunciará após a escolha do novo pontífice, que não tem prazo para acontecer.

"Os cardeais começaram um período de silêncio e orações. Não darão entrevistas ou participarão de encontros com a mídia", afirmou o porta-voz Joaquin Navarro-Valls. O Vaticano estaria preocupado com as especulações e sua influência na votação.

AGENDA DO VATICANO
3 a 11.abr.2005
Nove dias de homenagens
18.abr.2005
Início do conclave (reunião do sacro colégio de cardeais, convocado para eleger um novo pontífice)

A basílica de São Pedro foi aberta novamente, depois do funeral de ontem. Mas o movimento é baixíssimo, em comparação com a peregrinação da semana passada. Segundo enviado especial da Folha Online, Roma já voltou à normalidade, os fiéis já deixaram a cidade, e o lixo já foi recolhido.

Durante o conclave (que significa "com chave"), os cardeais não podem ter contato com o mundo externo, seja fisicamente ou por meio de telefone, por exemplo. Mas as regras foram abrandadas, uma vez que não terão que ficar enclausurados na capela Sistina, como acontecia anteriomente. Terão um quarto e poderão caminhar pelas dependências internas do Vaticano.

Outra alteração para a eleição, que começa no dia 18, é o anúncio do escolhido por meio dos sinos da basílica de São Pedro - não só pela fumaça da capela Sistina. A preta indica que os cardeais não chegaram a um concenso, e a branca, que o santo padre foi eleito.

Todos os cardeais podem participar do conclave, mas somente aqueles com menos de 80 anos podem votar - 116 (o filipino Jaime Sin desistiu, alegando estar doente).

Beatificação
O coro da multidão "papa santo" durante o funeral pode ser atendido em breve, já pelo próximo pontífice. Antes, o processo começava cinco anos depois da morte, mas o próprio João Paulo 2º reduziu esse prazo para dois, em 1999, para abrir exceção à madre Teresa de Calcutá.

O procedimento costuma ser longo, burocrático e caro. Quando uma causa começa, o candidato recebe o título de "servo de Deus". Um postulador é nomeado para ajudar a reunir informações de pessoas que conheciam o candidato, buscando provas de sua santidade. Um relator é então apontado para avaliar as provas e fazer uma recomendação.

Muitas das pessoas que conheciam ou trabalharam com o papa ainda vivem. Isso poderia acelerar o caso de maneira significativa porque as testemunhas estariam prontas para dar seus testemunhos.

Se uma investigação inicial se mostrar positiva, o sucessor de João Paulo 2º pode divulgar um decreto reconhecendo as "virtudes heróicas". O candidato, então, recebe o título de "venerável".

É necessário um milagre depois da morte do candidato para que a beatificação prossiga. Esse milagre deve ser o resultado de orações pedindo ao candidato a santo que interceda junto a Deus. Segundo jornais italianos, o Vaticano já tinha informações de "milagres" que fiéis do mundo todo atribuem a Karol Józef Wojtyla.

Homenagem
João Paulo 2º recebeu neste sábado mais uma estátua em seu país. A obra do escultor Czeslaw Dzwigaj foi posta no jazigo dos Wojtyla, na seção militar do cemitério Rakowice, com uma pequena cerimônia.

O monumento mostra Karol Wojtyla rezando ajoelhado, com um rosário nas mãos.

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