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10/04/2005 - 15h59
Conclave perde mais um cardeal

Fila na basílica de São Pedro; veja fotos
Como o filipino Jaime Sin, o mexicano Alfonso Antonio Suárez Rivera desiste devido a enfermidade; no total, 115 cardeais devem participar da escolha do novo papa, a partir do dia 18 (segunda-feira)

Da Redação, com informações da Folha Online e das agências internacionais

Mais um cardeal foi obrigado a desistir da escolha do novo papa. Depois do filipino Jaime Sin, o mexicano Alfonso Antonio Suárez Rivera anunciou neste domingo sua ausência, também devido a enfermidade.

O conclave, que tem início no próximo dia 18, contará assim com 115 eleitores (apenas os com menos de 80 anos podem votar), mas todos os cerca de 180 cardeais têm direito a participar da discussão na capela Sistina.

AGENDA DO VATICANO
3 a 11.abr.2005
Nove dias de homenagens
18.abr.2005
Início do conclave (reunião do sacro colégio de cardeais, convocado para eleger um novo pontífice)

O processo de escolha não tem prazo para terminar. Nas primeiras 30 votações, o candidato precisa ter mais de 2/3 da preferência. Depois, a maioria simples passa a vigorar.

Segundo especialistas o próximo santo padre precisa ser popular, espiritual, midiático e poliglota, mas os próprios cardeais comentam que é o Espírito Santo quem dá a última palavra, e o ditado que vigora é que o cardeal que entra no conclave como papa sai como cardeal.

A tendência é a manutenção do estilo conservador moralmente de João Paulo 2º, já que este nomeou 114 dos 117 cardeais com direito a voto. Fogem dessa regra o alemão Joseph Ratzinger, o americano William W. Baum e filipino Sin.

"Os colégios de cardeais indicados por um papa não costumam simplesmente duplicar esse papa no momento da eleição de seu sucessor. Em lugar disso, procuram, em parte, remediar o que vêem como sendo os pontos fracos do regime anterior, além de consolidar seus pontos fortes", afirma o especialista John L. Allen Jr., correspondente da revista semanal "National Catholic Reporter" em Roma.

Preocupado com as especulações, o Vaticano decretou silêncio até o fim do conclave. "Não vamos ser tão inutilmente e tão humanamente curiosos para saber quem ele é antes do tempo", disse o cardeal de Roma, Camillo Ruini, em homilia.

Entre os eleitores, 80 têm mais de 70 anos, e apenas quatro estão na casa dos 60. O mais jovem é o húngaro Peter Erdo, de 54 anos. A Itália possui o maior número de cardeais com direito a voto (20), seguida pelos EUA (10), Espanha (6), Alemanha (6), França (5), Brasil (4), Polônia (4) e México (4).

O Brasil terá quatro votos: dom Cláudio Hummes, 70, arcebispo de São Paulo; dom Eusébio Oscar Scheid, 72, arcebispo do Rio; dom Geraldo Majella Agnello, 71, arcebispo de Salvador; e dom José Freire Falcão, 79, arcebispo emérito ("aposentado") de Brasilia.

Silêncio
Pela primeira vez nos últimos 26 anos, a praça São Pedro permaneceu silenciosa, e as centenas de fiéis que enfrentaram o frio e a chuva ficaram sem a tradicional bênção de domingo.

Durante todo o pontificado, João Paulo 2º só não apareceu na janela do aposento no palácio Apostólico em uma ocasião (além das vezes em que estava em viagem). Em 27 de fevereiro, recuperava-se da traqueotomia e foi substituído pelo arcebispo argentino Leonardo Sandri, o mesmo que proferiu a bênção no domingo passado, dia seguinte à morte do papa.

A chuva que cai desde ontem em Roma apagou as velas e destrói as fotos, desenhos, cartazes e outros objetos que os peregrinos levaram ao Vaticano. A fila para visitar a basílica de São Pedro tinha uma espera de 20 minutos. Muitos acreditavam que poderiam visitar a cripta onde João Paulo 2º foi enterrado, mas esta só deve ser liberada ao público na semana que vem.

Assessoria
O monsenhor Stanislaw Dziwisz, secretário particular e confidente de João Paulo 2º durante 40 anos, e as cinco freiras polonesas que assistiam ao pontífice deixaram o Vaticano nesta semana.

Como prevê a Constituição Apostólica, redigida pelo próprio João Paulo 2º, uma semana depois da morte do papa, as dependências do pontífice se fecham até a nomeação do sucessor.

O arcebispo Dziwisz, 66, viverá com peregrinos poloneses ao norte de Roma, uma residência cômoda e sem muitos luxos. E as freiras serão transferidas ao convento das Servas do Sagrado Coração de Jesus, em Roma.

O secretário ficará com alguns objetos pessoais do santo padre, informou o jornal "Il Messaggero". A maioria deles, no entanto, devem ser queimados, segundo o testamento espiritual de João Paulo 2º.

Selos
O Vaticano decidiu lançar uma série de selos para o período de transição entre João Paulo 2º e o próximo papa. Serão produzidos 700 mil exemplares, que serão vendidos apenas nos poucos estabelecimentos comerciais da praça São Pedro.

Leia também:

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 Vida de João Paulo 2º
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