O Vaticano divulgou nesta sexta-feira a mensagem que João Paulo 2º escreveu para a Jornada Missionária Mundial, datada de 22 de fevereiro - dois dias antes de ser submetido a traqueostomia - e que pediu que fosse divulgada nesta sexta-feira, segundo o Vaticano.
A mensagem tem como título "Missão, pão partido para o mundo" e, nela, o pontífice escreveu que a sociedade atual está perturbada por eventos dramáticos e que somente Jesus pode saciar a sede de justiça dos homens.
"Atualmente, a sociedade humana parece que está envolvida por espessas trevas, enquanto é perturbada por eventos dramáticos e transtornada por catastróficos desastres naturais", escreveu João Paulo 2º.
O papa afirmou no texto que a humanidade necessita de Cristo "pão partido" e que hoje, como na noite em que foi entregue, Jesus "parte o pão para nós".
"A eucaristia, sacramento adotado por Jesus na Última Ceia, não somente é expressão - continuou o papa - de comunhão na vida da Igreja, mas é também projeto de solidariedade para toda a humanidade."
"Só Jesus pode saciar a fome de amor e a sede de justiça dos homens, somente Ele possibilita a cada pessoa a participação na vida eterna", acrescentou o papa em sua mensagem.
Em referência aos missionários, João Paulo 2º disse que são "pão partido para a vida do mundo" e que, em nome de Cristo, "vão a tantas partes do mundo para anunciar e ser testemunhas do Evangelho".
Os missionários - afirmou o papa - fazem ressoar com sua ação as palavras do Redentor e não duvidam em dar a vida pelo Evangelho.
"Quantos missionários mártires neste nosso tempo! Que seu exemplo arraste muitos jovens no caminho da heróica fidelidade a Cristo! A Igreja necessita de homens e de mulheres que estejam dispostos a se consagrar totalmente à grande causa do Evangelho", escreveu o papa.
Karol Wojtyla afirmou que a Jornada Missionária Mundial representa uma oportuna circunstância para tomar consciência da urgente necessidade de participar da missão evangelizadora em que estão comprometidos as Comunidades locais e outros Organismos eclesiásticos, entre eles as Obras Missionárias Pontifícias e os Institutos Missionários.
João Paulo 2º pediu a todos os fiéis seu apoio material às Obras Missionárias Pontifícias.
O papa lembrou que a Igreja celebra em 2005 o Ano da Eucaristia e fez votos para que este ano "motive todas as comunidades cristãs a caminhar com generosidade fraterna" em direção a "alguma das múltiplas pobrezas de nosso mundo".
Chaminé instalada
Também hoje, funcionários do Vaticano instalaram uma chaminé no telhado da Capela Sistina na sexta-feira, em meio aos preparativos para o conclave que vai eleger o sucessor de João Paulo 2º.
A partir de segunda-feira, o primeiro dia do conclave, o cano cor de ferrugem colocado entre as telhas será a chaminé mais observada do mundo. É de lá que sairá a fumaça anunciando a eleição do novo pontífice.
Vinte e seis anos se passaram desde o último conclave, que elegeu João Paulo 2º, portanto os funcionários têm uma boa desculpa para terem demorado muito mais que o previsto para instalar a chaminé no telhado da capela renascentista.
Cinegrafistas e fotógrafos se amontoaram em volta do obelisco no meio da praça quando surgiram boatos de que o Vaticano faria um teste com fumaça.
"Ao contrário do que alguém disse, não haverá teste com fumaça esta tarde", disse o porta-voz oficial do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls.
Os cardeais realizarão duas sessões diárias de votação. Se a maioria de dois terços mais um não for atingida, as cédulas serão colocadas num forno e queimadas com um aditivo para produzir fumaça preta. Se o papa tiver sido eleito, elas são queimadas com uma substância que origina fumaça branca.
Num dos conclaves de 1978, a fumaça acabou saindo cinza, por isso este ano o Vaticano anunciou que os sinos da Basílica de São Pedro também badalarão para anunciar a eleição do papa.
Com a aproximação do início do primeiro conclave do século 21, a maioria dos cardeais de todo o mundo já havia chegado a Roma - os 115 que votarão e outros que têm mais de 80 anos.
Padres e pessoas que trabalharão com os cardeais fariam um voto de silêncio nesta sexta-feira, prometendo não deixar transpirar nada do que aconteça no conclave. Quem desobedecer pode até ser excomungado.
Praticamente todos os eleitores foram indicados por João Paulo 2º, com a exceção de dois. O polonês Karol Wojtyla era considerado conservador em questões doutrinárias e teológicas.
Fontes da Igreja disseram esta semana que o cardeal conservador Joseph Ratzinger, que por 23 anos atua como guardião da doutrina católica, transformou-se em um dos favoritos. Os moderados analisavam o nome do cardeal Carlo Maria Martini, ex-arcebispo de Milão, segundo as fontes.
Mas isso refletia apenas a posição para a primeira rodada de votações, que normalmente é apenas uma formalidade para medir as forças das várias correntes. Os conclaves podem durar muitos dias, e é comum seu resultado surpreender.
Muitos analistas especulam a possibilidade de um papa latino-americano ou africano, que chamaria a atenção do mundo para a pobreza do hemisfério Sul, como João Paulo 2º chamou para a divisão da época da Guerra Fria.