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16/04/2005 - 15h31
Primeira votação do conclave pode ficar para terça

Cardeal deixa Vaticano após reunião; amplie
Conclave dos 115 cardeais que escolherá o novo papá começa na segunda-feira, mas as votações podem ter início na terça-feira; prelados prestarão juramento de silêncio antes das votações

Da Redação, com informações das agências internacionais

Os 115 cardeais de 52 países que participarão do conclave decidirão apenas na segunda-feira se votarão nesse mesmo dia para escolher o futuro papa, ou se iniciam a votação só na terça.

O início da votação rependerá dos eventos previstos durante o dia, que começará com uma missa. Até o tradicional "Extra Omnes", que expulsa do Conclave as pessoas não autorizadas, tudo será transmitido ao vivo pela televisão.

Antes de dar início às votações, os prelados prestarão um juramento de silêncio. Os agentes do Vaticano terão neste momento inspecionado meticulosamente todos os espaços do recinto para garantir que não há microfones escondidos ou qualquer outro sistema que permita comunicar com o exterior.

As deliberações dos cardeais são secretas. Duas sessões diárias seguidas de votações e das tradicionais fumaças marcarão o ritmo dessa reunião, da qual sairá o 264º sucessor de Pedro.

O Brasil terá quatro votos no conclave dos seguintes cardeais: dom Cláudio Hummes, 70, arcebispo de São Paulo, dom Eusébio Oscar Scheid, 72, arcebispo do Rio de Janeiro, dom Geraldo Majella Agnello, 71, arcebispo de Salvador (BA), e dom José Freire Falcão, 79, arcebispo emérito ("aposentado") de Brasília.

Os cardeais ficarão hospedados na Casa Santa Marta, um hotel com todas as comodidades situado dentro do Palácio Apostólico, a cerca de 400 metros da capela Sistina, palco da votação.

Da Casa Santa Marta, os cardeais irão duas vezes por dia à Capela Sistina para votar duas vezes pela manhã e outras duas pela tarde.

Papa será conhecido 45 minutos após a "fumaça"
Cerca de 45 minutos transcorrerão entre o aparecimento da fumaça branca na chaminé do Palácio Apostólico do Vaticano e a apresentação do novo papa na praça São Pedro, anunciou neste sábado (16) o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls.

Segundo ele, durante esse período de tempo, o serviço de imprensa do Vaticano não fará nenhum anúncio ou aceitará perguntas dos jornalistas. "Será um evento que todos viveremos juntos", acrescentou.

O porta-voz da Santa Sé destacou que foi feito de tudo para que seja clara a distinção entre a fumaça branca, que indica a escolha do novo chefe da Igreja Católica, e a negra, que assinala que não houve um acordo em torno de um nome. Assim que o sumo pontífice sucessor de João Paulo 2º for eleito, os sinos da basílica tocarão.

Última reunião antes do conclave
Um total de 143 dos 183 cardeais que formam o Colégio Cardinalício, assistiram neste sábado no Vaticano à congregação geral de purpurados, a última antes do conclave que começará na segunda-feira, informou o porta-voz vaticano, Joaquín Navarro Valls.

Os cardeais, como em dias anteriores, analisaram a situação na Igreja e no mundo e felicitaram o decano, o alemão Joseph Ratzinger, que hoje cumpriu 78 anos.

Ratzinger leu, por sua vez, as mensagens de alguns cardeais que não puderam ir ao Vaticano nestes momentos de Sé Vacante por problemas de saúde.

A Constituição Apostólica "Universi Dominici Gregis" sobre a Sé Vacante e a eleição do Romano Pontífice estabelece que todos os cardeais devem participar da Congregação Geral, embora dê liberdade de assistência aos purpurados que têm mais de 80 anos e que, segundo a normativa da Igreja, não podem entrar na Capela Sistina para escolher o papa.

Os purpurados também estudaram, o ingresso, que será feito amanhã de tarde, na residência Santa Marta, lugar onde se alojarão durante o conclave.

Anel de pescador é destruído
O anel de pescador do Papa João Paulo 2º, que foi beijado por milhares de peregrinos ao longo dos 26 anos de pontificado, foi destruído neste sábado (16), em um ato que marca simbolicamente o final de seu pontificado, informou o Vaticano neste sábado.

A destruição do anel faz parte do ritual feito depois da morte de um papa como medida prática para impedir falsificações de documentos papais.

Historicamente, o papa usa o anel para chancelar documentos particulares e o selo de chumbo para documentos públicos, ou "bulas papais", cujo nome deriva do latim "bulla," que significa chancela.

O cardeal camarlengo, o espanhol Eduardo Martínez Somalo, destruiu o anel e o selo de chumbo personalizado que o papa utilizava em suas cartas apostólicas, anunciou o porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro Valls. O Camarlengo é o "interino" da igreja entre a morte do papa e a eleição de seu sucessor.

A forma como o anel foi destruído não foi especificada, mas se o carmelengo se baseou nas tradições do passado, ele teria usado um martelo de prata para esmagar a face do anel.

O anel de pescador é um dos símbolos do poder pontifício e sua destruição está prevista na Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis sobre "a vacância na sede apostólica e a eleição do Romano Pontífice", promulgada por João Paulo 2º em 1996.

Um novo anel deverá ser moldado em ouro para o próximo papa, com uma imagem em relevo de São Pedro, reverenciado como o primeiro papa e que, segundo a história, era pescador. O nome do papa será escrito em latim no anel.

Aniversário de Ratzinger
Os 143 cardeais que participaram neste sábado da última reunião antes do conclave, que na segunda-feira começa a escolher o próximo papa, desejaram um feliz aniversário ao integrante do Colégio Cardinalício Joseph Ratzinger, que completou 78 anos, anunciou o serviço de imprensa dp Vaticano.

Segundo um comunicado do porta-voz Joaquín Navarro Valls, o cardeal camerlengo, o espanhol Eduardo Martinez Somalo, pronunciou, em nome de todos, as felicitações ao religiosos alemão por seu aniversário.

O cardeal alemão, conhecido por suas posturas conservadoras, é apontado como um dos sucessores do papa João Paulo 2º.



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