A primeira votação dos cardeais reunidos no conclave que acontece no Vaticano não foi suficiente para escolher o novo papa, como foi anunciado ao mundo pela fumaça preta que saiu pela chaminé da Capela Sistina.
A fumaça negra saiu pela chaminé às 20h04 locais (15h04 de Brasília), em meio a uma grande expectativa. Dezenas de milhares de pessoas se concentraram na praça São Pedro para acompanhar o momento - e aplaudiram quando a fumaça saiu.
A fumaça preta significa que nenhum dos votados obteve dois terços dos votos, como estabelece a norma vaticana para que um religioso seja eleito papa em uma primeira etapa. Como há 115 eleitores, são necessários 77 votos.
O Vaticano quer que neste ano não ocorra novamente o que aconteceu no conclave de 1978, no qual foi eleito João Paulo 1º, quando a fumaça branca que saiu não foi bem distinguida, pois era cinzenta. Para isso, além da fumaça branca, os sinos da basílica de São Pedro tocarão para reforçar o anúncio do novo sumo pontífice
Os cardeais voltarão a votar nesta terça (dia 19). Estão previstas duas votações de manhã e duas à tarde, caso necessárias, segundo a norma vaticana, que estabelece esse procedimento nos três primeiros dias.
Primeiro dia
Uma missa na basílica de São Pedro, que teve início às 10h (5h de Brasília) desta segunda (dia 18) e durou cerca de uma hora e meia, simbolizou o início do conclave. O cardeal alemão Joseph Ratzinger presidiu a missa e disse aos cardeais-eleitores para defenderem uma "fé adulta", que resista a ideologias, seitas e uma mentalidade de que "qualquer coisa serve" que marca os tempos modernos.
Precedida por uma cruz e seguida por um exemplar do Evangelho, a procissão com os cardeais-eleitores partiu da Sala da Bênção, no palácio Apostólico. Depois de ocuparem seus lugares em mesas dispostas na capela Sistina, os clérigos ouviram Ratzinger entoar o hino sacro "Veni, creator Spiritus", de invocação solene do Espírito Santo, em frente ao altar.
Já na capela Sistina, os cardeais fizeram o juramento individual pré-conclave. Com a mão sobre o Evangelho, cada cardeal disse: "Eu prometo, comprometo-me e juro. Assim me ajudem Deus e este santo Evangelho".
Terminado o juramento, começaram as reflexões e o isolamento. O mestre-de-cerimônias vaticanas, monsenhor Piero Marini, disse, em latim, "extras omnes!" (todos fora!), e os cardeais foram trancados na capela -daí o nome conclave (com chave). As portas da capela Sistina foram, enfim, fechadas.
Para garantir o caráter secreto do Conclave, especialistas da Gendarmaria Vaticana fizeram rigorosos controles a fim de que na capela não sejam instalados meios audiovisuais de gravação e transmissão externa, como estabelece a norma vaticana. Também se fez uma "varredura eletrônica", para impedir o uso de telefones celulares no recinto.