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26/12/2005 - 21h22
2005, o ano dos furacões no Atlântico

Nova Orleans, depois do furacão Katrina
Em 2005, os ventos quentes do golfo do México lembraram a nação mais rica do mundo que a natureza, mais do que o comércio, é o melhor exemplo de globalização. A força do Katrina deixou a cidade de Nova Orleans submersa, e provocou mais de mil mortes nos EUA. A Ásia, traumatizada pelo tsunami, voltou a conviver com catástrofes. O terremoto da Caxemira matou 80 mil, em sua maioria crianças.

Roger Modkovski
Editor-assistente de Últimas Notícias

O ano de 2005 começou ainda sob o impacto do tsunami que devastou o sul da Ásia em 26 de dezembro de 2004. O maremoto, que atingiu Índia, Bangladesh, Mianmar, Tailândia, Malásia, Sri Lanka e Indonésia, foi provocado por um tremor de terra de 9,3 graus na escala Richter no Oceano Índico. O número de mortos superou os 280 mil, tornando a tragédia o maior desastre geológico já registrado e chegou a modificar o formato da Terra.

Os trabalhos de identificação das vítimas entraram pelo mês de janeiro. Seguradoras estimaram que os custos do desastre ultrapassaram US$ 10 bilhões. Ao lado de cenas de heroísmo, o mundo viu criminosos se aproveitarem para tirar vantagem da situação.

Em 5 de janeiro, um tornado deixou Criciúma (SC) em estado de emergência. No ano anterior, a cidade tinha sido uma das afetadas pelo furacão Catarina.

Chuvas de verão

O mês de janeiro também manteve a rotina das inundações das grandes cidades brasileiras, graças às chuvas de verão. No dia 11, deslizamentos de terra provocaram nove mortes em São Bernardo do Campo, na região do ABC. No dia 25, nevascas na região nordeste dos EUA deixaram 15 mortos.

Em 16 de fevereiro, começou a vigorar, sem a participação dos EUA, o Protocolo de Kyoto, instrumento da diplomacia internacional para tentar combater o desafio do aquecimento global. A comunidade científica recebeu o fato com pessimismo.

Seis dias depois, um terremoto de 6,4 graus na escala Richter na província iraniana de Kerman deixou pelo menos 420 mortos.

Em 15 de março, a realidade do aquecimento global denunciada pela comunidade científica ficou mais clara: uma ONG divulgou foto do monte Kilimanjaro, na Tanzânia, não mais coberto por suas neves em virtude do efeito estufa.

Em abril, chuvas de outono voltam a matar e causar prejuízos em São Paulo. Em maio, novas chuvas mataram ao menos seis em todo o Estado de São Paulo. Em junho, foi a vez de Pernambuco sofrer: temporais no Estado mataram 27 pessoas e deixaram 29 mil desabrigadas.

Ainda em junho, um terremoto que matou 8 pessoas no Chile provocou reflexos no Brasil. Casas balançaram na cidade de São Paulo, no interior paulista, no Paraná, em Goiás e no Distrito Federal. Em julho, um terremoto de 3,3 graus na região metropolitana de Belo Horizonte assustou os mineiros, mas não provocou vítimas.

Em agosto, uma onda de incêndios florestais castigou Portugal.

Temporada de furacões

Mas a "estrela" dos desastres naturais a partir daí seria a temporada de furacões do Atlântico Norte.

O primeiro foi o Katrina, que atingiu o Sul dos Estados Unidos, inundando Nova Orleans e mantando mais de mil pessoas. O socorro às vítimas do Katrina provocou críticas ao presidente republicano dos EUA, George W. Bush. Oposicionistas criticaram a demora, que eles tributaram ao suposto "pouco caso" de Bush pela população pobre do sul do país.

Em 30 de agosto, a mudança climática voltou a dar as caras no Sul do Brasil. Um tornado com ventos de até 110 km/h danificou casas na cidade gaúcha de Muitos Capões.

No mês seguinte, o furacão Rita, também originado no Atlântico Sul, atingiu o Sul dos EUA, voltando a causar o rompimento dos diques de Nova Orleans.

Em outubro, o Brasil foi surpreendido pela notícia de que a seca, mais prolongada que o habitual, estava ameaçando isolar cidades ribeirinhas da Amazônia brasileira. A situação voltou a chamar a atenção para a importância geopolítica da região.

Críticos dos níveis de emissão de carbono aproveitaram para dar o recado: o Katrina seria a penas o primeiro de uma série, e já havia evidências científicas de que o número de furacões na região está crescendo, o que teria relação com a mudança climática.

Tremor na Caxemira

A Ásia voltou a sofrer com a fúria tectônica em outubro: no dia 8, um terremoto atingiu a Caxemira paquistanesa, matando pelo menos 80 mil pessoas. A ajuda internacional foi considerada insuficiente, e a chegada do inverno, segundo a ONU, pode provocar mais mortes entre a população desamparada, o que faria o terremoto ter conseqüências mais graves que o tsunami do ano anterior. Em meio à tragédia, a comunidade internacional viu o tremor como uma maneira de melhorar as relações entre Índia e Paquistão, que disputam a posse da Caxemira.

Ainda em outubro, o Estado norte-americano da Flórida foi atingido pelo furacão Wilma, que também provocou estragos no México

Em 5 de dezembro, um forte terremoto atingiu a República Democrática do Congo, destruindo casas e matando ao menos uma pessoa.

O aquecimento global voltou a ser assunto no final do ano, em uma conferência da ONU em Montreal, no Canadá que começou em clima de pessimismo em relação ao que vai acontecer após o fim do Protocolo de Kyoto, em 2012, e com pressão sobre os EUA ao Protocolo de Kyoto. Pesquisa divulgada no evento mostrou que os prejuízos com desastres naturais -apenas os de natureza meteorológica- chegaram a US$ 200 milhões. O acúmulo de catástrofes naturais mostrou, também, os limites da ONU no que diz respeito ao auxílio às vítimas.

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