UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

Selo
Selo
ARQUIVOS
26/12/2005 - 21h18
Católicos choram a morte de João Paulo 2º

Papa João Paulo 2º acena para fiéis
Em um momento em que as religiões ocidentais enfrentam a debandada de fiéis, a Igreja Católica viu milhões comoverem-se com a agonia e morte de João Paulo 2º, um dos papas mais populares e midiáticos da história. Conservador e pacifista, Karol Wojtyla conduziu o Vaticano por 26 anos, e deixou como sucessor Joseph Ratzinger, o discreto Bento 16.

Marina Motomura
Da Redação

Pela terceira vez no dia, saía fumaça da chaminé da capela Sistina em 19 de abril. Os milhares de fiéis que lotavam a Praça São Pedro, no Vaticano, aplaudiram, apesar da dúvida sobre a cor da fumaça --a branca sinalizaria que um novo papa fora escolhido, enquanto a preta significaria que o conclave não chegara a uma conclusão.

Alguns minutos depois, veio a confirmação: os sinos da basílica de São Pedro dobraram e, por volta das 13h40, o protodiácono anunciou "Habemus Papam" (temos papa). O alemão Joseph Ratzinger, então, fez sua primeira aparição, numa janela do Vaticano, como o novo papa Bento 16 ( veja fotos), aclamado pelos católicos que o aguardavam na praça.

A escolha de Bento 16 encerrou um período de comoção entre os católicos que havia começado com os momentos finais da vida de João Paulo 2º, morto no dia 2 de abril. Na noite de 31 de março, o papa polonês, de 84 anos, teve febre alta e pressão baixa. O pontífice vinha se alimentando por uma sonda nasal e sofria de artrite e mal de Parkinson. A saúde de João Paulo 2º piorou rapidamente a partir do início de 2005 -- ele chegou a enfrentar duas cirurgias em dois meses. Quando o Vaticano anunciou que o papa estava se alimentando por meio de um tubo nasal para ajudá-lo a recuperar-se de uma cirurgia na garganta, ele havia tentado falar em público, mas não conseguiu.

Karol Wojtyla fora sumo pontífice nos últimos 26 anos. Conservador, seu papado foi marcado pelo combate ao comunismo e pela atuação política. O pontífice viajou para 129 países, incluindo Cuba, e criticou abertamenta a Guerra do Golfo, a Guerra do Iraque e buscou diálogo com os judeus --foi o primeiro pontífice da história a entrar em uma sinagoga e a ter estabelecido relações diplomáticas com o Estado de Israel.

Além da atuação política, Wojtyla também se destacou pela história de vida recheada de momentos dramáticos ( assista a um vídeo com a biografia de Karol). Órfão de mãe desde os nove anos de idade, Wojtyla perdeu ainda jovem também o irmão e o pai.

Sozinho, o jovem polonês passa a se dedicar aos estudos -- na universidade, estudou teatro. Com a ascensão dos nazistas na década de 1940, as universidades polonesas foram fechadas e Wojtyla passou a freqüentar um seminário clandestino. É ordenado padre com 26 anos de idade --idade considerada avançada para a vocação sacerdotal--, mas não abandona mais a sacristia. Foi arcebispo na Polônia e, em 1978, é escolhido papa.

Apenas três anos depois de ser nomeado chefe da Igreja, João Paulo 2º sofre uma tentativa de assassinato em Roma. Mehmet Ali Agca, um ativista turco de extrema direita, disparou várias vezes quando o veículo do papa passava pela Praça São Pedro. Wojtyla sobrevive, mas sua saúde começa a se deteriorar após o atentado ( veja infográfico).

A saúde frágil parecia apenas aumentar a devoção dos fiéis.

No período em que esteve doente, João Paulo 2º levou milhares de fiéis a fazer vigílias ( veja fotos)constantes na Praça São Pedro. Mas, em 02 de abril, Wojtyla finalmente morreu. A sua morte provocou comoção mundial e os funerais do papa levaram dezenas de chefes de Estado ao Vaticano ( veja fotos), além de fiéis de várias nacionalidades.

No dia 18 de abril, menos de três semanas após a morte de Wojtyla, o Vaticano deu início, então, ao processo de escolha de um novo papa ( entenda como funciona a eleição de um novo papa). 115 cardeais se reuniram em um conclave que durou apenas dois dias e, por três vezes, terminaram as reuniões sem uma escolha definitiva. Nesse período, os católicos especularam sobre quem poderia ser o novo líder da Igreja Católica --o brasileiro D. Cláudio Hummes chegou a ser apontado como um dos favoritos para o posto.

Bento 16

No dia 19 de abril, o conclave chegou ao fim com a escolha do alemão Joseph Ratzinger, considerado o braço-direito de Karol Józef Wojtyla. Líder da Congregação para a Doutrina da Fé durante a maior parte do pontificado de João Paulo 2º, Ratzinger era considerado um dos favoritos para a sucessão papal. Ortodoxo, conta com o apoio das alas mais conservadoras da igreja.

A inauguração oficial do pontificado, no entanto, ocorreu apenas em 24 de abril. Na missa solene, o papa recebeu o pálio e o anel do pescador (São Pedro, o primeiro papa, era um pescador) e afirmou que durante o seu papado não pretende fazer suas vontades nem seguir suas próprias idéias. "Meu programa de governo é não fazer minha vontade e não seguir minhas próprias idéias, mas ouvir a palavra e a vontade do Senhor e ser conduzido por Ele", disse o papa em uma longa e aplaudida homilia.

Papa discreto

O pontificado de Bento 16, que completa oito meses agora em dezembro, tem sido discreto -- a única decisão mais polêmica, que reforça sua fama de ortodoxo, foi a proibição do sacerdócio para padres homossexuais. Bento 16 admite o estilo discreto e afirmou que sua "missão pessoal não é lançar muitos documentos novos". Em lugar disso, afirmou, quer assegurar que muitas das obras de João Paulo 2º sejam "assimiladas".

O papa também anunciou sua vinda ao Brasil em 2007 e até recebeu o ex-jogador Pelé na Alemanha.

No dia 1º de dezembro, Dia Internacional de Combate à Aids, Bento 16 não surpreendeu e repetiu o discurso de seu antecessor, enfatizando que a abstinência e a castidade são a melhor maneira para os católicos se prevenirem da doença. Na mesma semana, o Vaticano havia vetado show em Roma da cantora Daniela Mercury --a brasileira participou de uma campanha recomendando o uso da camisinha.

Enquanto isso, o processo de beatificação de João Paulo 2º , aberto em maio, corre no Vaticano e pode ser concluído em março de 2006.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL


  

Crise política
2005, o ano que
não terminou


Memória
Terri Schiavo foi a morte emblemática


Economia
Indicadores em alta salvam governo


Mundo
O ano em que o Islã contra-atacou


Fúria da natureza
Ano foi marcado por furacões no Atlântico


Ciência
Cientistas miraram o céu em 2005


LINHA DO TEMPO

Linha do tempo mostra, mês a mes, os fatos mais marcantes no Brasil e no mundo em 2005

AGENDA 2006

Infográfico mostra os assuntos que devem dominar a pauta jornalística em 2006