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26/12/2005 - 21h16
O ano em que o Islã contra-atacou

Terror ataca Londres
No ano de 2005, os radicais muçulmanos responderam com violência à campanha antiterror norte-americana. Seja por atentados isolados, cometidos por militantes teoricamente sem vínculos com grandes organizações terroristas, seja por ataques orquestrados pelas redes como a Al Qaeda, os muçulmanos tentaram reagir à pressão exercida pelos Estados Unidos.

Alexandre Bigeli
do UOL Mídia Global

O recrudescimento da violência por parte dos árabes, entretanto, pode ser entendida como um revide à brutalidade norte-americana no Iraque e no Afeganistão. Em 2005, as forças de Bush foram criticadas como nunca. O principal motivo é a revelação do uso da tortura de prisioneiros em instalações militares, como a base de Guantánamo, em Cuba.

Sem pistas de Bin Laden e sofrendo com a ação de rebeldes no Iraque, os EUA estariam recorrendo à tortura de prisioneiros para obter informações que os levassem à captura de líderes terroristas. Neste ano, multiplicaram-se os relatos de que os maus-tratos a que foram submetidos os prisioneiros de Abu Ghraib seriam a regra e não a exceção nas instalações mantidas pelos americanos.

Em maio, o jornal The New York Times revelou que os militares americanos toturaram até a morte prisioneiros de guerra no Afeganistão. Segundo o jornal, a tortura é prática recorrente de soldados jovens e mal treinados, freqüentemente envolvidos em ocorrências de abuso repetido. Em vários casos, a violência foi dirigida ou executada por interrogadores para extrair informações, segundo testemunhos obtidos pelo jornal. Em outros casos, a violência foi punição dos guardas. Algumas vezes, segundo o NYT, o tormento era gerado por pura crueldade ou falta do que fazer, ou ambos.

A CIA também foi acusada de enviar prisioneiros em seu poder para instalações secretas na Síria e no Egito, onde seriam torturados até a morte.

Nos EUA, o tema gerou debate nacional com o projeto de lei do senador republicano John McCain -ele próprio um ex-prisioneiro de guerra torturado no cárcere no Vietnã- que proíbe a tortura de prisioneiros sob responsabilidade dos EUA. O presidente George W. Bush mantém firme oposição à proibição da tortura. Essa posição, de acordo com especialistas, indica que os EUA de fato torturam prisioneiros para obter informações.

A suspeita da prática de tortura talvez explique a escalada da violência de militantes islâmicos, que realizaram em julho de 2005 o atentado mais audacioso desde o ataque aos trens de Madri, em março de 2004.

Londres

No dia 7 de julho, aconteceu o maior ataque terrorista do ano. Era uma manhã quente em Londres, que vivia plena euforia após ter sido escolhida cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2012, superando a favorita e arqui-rival Paris. Por volta das 8h, explosões paralisaram o serviço metroviário da cidade. Tumulto, correria, gritos, pânico.

Bombas atingiram três trens de metrô e um ônibus. O ataque matou pelo menos 52 e feriu cerca de 700 pessoas na hora. A carnificina coordenada ocorreu bem na hora do rush, deixando a capital britânica atônita e ensangüentada.

A polícia identificou posteriormente quatro jovens britânicos de origem paquistanesa como autores do atentado. Nenhum deles possuía vínculos com organizações terroristas, de acordo com as investigações.

Apenas duas semanas depois, no dia 21, uma tentativa de ataque quase aumentou o número de vítimas do terror em solo britânico. A polícia evacuou estações e linhas após três pequenas explosões no sistema de metrô da cidade. Houve pânico entre os passageiros, mas sem vítimas fatais desta vez.

Ainda em julho, foi a vez de o Egito sofrer com o terror. No dia 23, um atentado no balneário de Sharm El-Sheik matou 64 pessoas, a maioria composta por funcionários egípcios dos hotéis e restaurantes do lugar, um apinhado resort na península do Sinai, muito procurado por turistas ocidentais. Três suicidas foram responsáveis pelo ataque.

Caso Jean Charles, a vítima brasileira do terror

Uma das conseqüências do ataque a Londres foi o embrutecimento de uma polícia acostumada a vigiar desarmada a capital do Reino Unido. E Jean Charles de Menezes, um brasileiro que migrou para a Inglaterra em busca de trabalho, foi a vítima mais emblemática deste embrutecimento.

Jean, eletricista de 27 anos, foi morto por oficiais da Scotland Yard quando tentava embarcar em uma estação de metrô de Londres em 22 de julho, um dia depois da tentativa de um segundo ataque à capital britânica. Sua vida foi ceifada por cinco tiros certeiros em sua cabeça.

Em princípio, as autoridades londrinas alegaram que o brasileiro comportara-se de maneira suspeita. A polícia informou que Jean vestia um espesso agasalho escuro, que poderia ocultar uma bomba, apesar do abafado verão londrino. As autoridades também disseram que o eletricista reagiu agressivamente e correu ao ser chamado. Após pular a catraca, de acordo com a polícia, Jean teria colocado a mão no bolso. Temendo que detonasse alguma bomba, a polícia o alvejou.

Mas a própria Scotland Yard veio a admitir posteriormente que não foi bem assim que tudo aconteceu.

Ainda à caça dos autores do atentado de 7 de julho, a polícia chegou ao número 201 da Scotia Road, no sul de Londres, onde Jean Charles morava. A Scotland Yard suspeitava que, no prédio de Jean, também morava Osman Hussein, um terrorista detido na Itália envolvido com a tentativa de atentado do dia 21.

No dia em que Jean morreu, às 6h04, vários policiais à paisana chegaram ao edifício para vigiar o terrorista. Um dos agentes era encarregado de filmar todos os moradores com uma minicâmera. O objetivo era identificar Hussein. Às 9h33, Jean saiu do edifício. As autoridades britânicas informaram que o policial encarregado de filmar os rostos dos suspeitos estava urinando neste momento, de modo que não pôde informar se o homem que saiu do prédio era ou não suposto terrorista.

Ao sair do edifício, Jean Charles tomou um ônibus. Os policiais londrinos disseram que um outro esquadrão passou a vigiá-lo -ainda sem saber se se tratava ou não do terrorista. Às 10h02, Jean desceu do ônibus e foi à estação de metrô, a essa altura vigiado por vários policiais. Nesse momento, dos escritórios da Scotland Yard, partiu a ordem de impedir o suspeito de entrar nas instalações do metrô. Jean Charles correu para pegar o metrô quando chegou à plataforma, onde levou os cinco tiros na cabeça.

O jornal espanhol El País localizou uma testemunha que viajava no vagão em frente ao qual Jean foi morto. Mark Whitby, um fiscal sanitário de 47 anos, disse o seguinte ao jornal: "Ele correu para o trem perseguido por três agentes secretos. Um deles tinha uma pistola preta. Quando [Menezes] entrou, vi seu rosto. Ele olhou para a esquerda e a direita, mas parecia um coelho encurralado. Estava absolutamente aterrorizado".

Quase um mês depois, a polícia londrina admitiu o erro. Reconheceu que o brasileiro não se comportou de maneira suspeita. Jean não trajava nada que permitisse supor que ele carregaria alguma bomba. Nem reagiu agressivamente ao ser abordado pelos policiais. O governo britânico pagou o transporte do corpo de Jean Charles para o Brasil, onde ele foi enterrado. Os britânicos também ofereceram uma indenização de US$ 27 mil à família do brasileiro.

O caso repercutiu no mundo inteiro e desmoralizou o chefe da Scotland Yard, Ian Blair, e deu a exata medida do descontrole britânico após o ataque de sete de julho.

Iraque

A ocupação americana do país em 2005 mostrou que Bush não poderia ter sido mais infeliz ao afirmar, ainda em 2004, que a missão americana estava "cumprida", após os militares do país terem concluído a ocupação integral do território iraquiano.

Neste ano, o Iraque foi sacudido por atentados quase semanais, e as forças americanas foram acossadas por insurgentes violentos e densamente infiltrados na sociedade iraquiana. Além disso, o processo político patrocinado pelos EUA sofreu o boicote dos sunitas, um dos principais segmentos da sociedade iraquiana (que se viu fora do poder após o fim do governo de Saddam).

Os iraquianos elegeram um congresso nacional constituinte em janeiro, dominado por xiitas e representantes de lideranças religiosas. A constituição foi promulgada após plebiscito em agosto, não sem muitos conflitos entre xiitas e sunitas, que, após as eleições, quiseram participar da elaboração do documento, embora tenham boicotado o pleito legislativo.

O seqüestro de uma jornalista italiana no Iraque também causou profundo embaraço para os americanos. Após ser mantida refém, Giuliana Sgrena foi liberada por seqüestradores em 4 de março. O carro que conduzia a jornalista ao aeroporto foi alvejado por soldados americanos, que julgaram que o veículo estaria sendo usado para um ataque terrorista. Os tiros causaram a morte do agente Nicola Calipari, do serviço secreto italiano. A morte esfriou as relações entre EUA e Itália. O primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, até então um dos mais fiéis aliados de Bush, cedeu à forte pressão contra a guerra em seu país e determinou, após o episódio, a retirada das tropas italianas do Iraque.

Curiosamente, o evento mais mortífero do Iraque não foi um atentado. Foi o tumulto causado em um evento religioso pela suspeita de que o local, completamente apinhado, seria palco de um ataque. Em 31 de agosto, peregrinos xiitas atravessavam uma ponte sobre o rio Tigre, na área norte de Bagdá, para chegar a um templo. Subitamente, toma corpo o rumor de que um homem-bomba preparava ataque iminente. O pânico tomou conta de uma população calejada pela violência, e o tumulto resultante mata cerca de 950 pessoas. Nenhum ataque americano ou atentado rebelde matou tantas pessoas de uma vez. Elas morreram pisoteadas e afogadas, após tentarem correr, umas sobre as outras, ou pularem sobre o rio para escapar do atentado de um homem-bomba que, no final das contas, não aconteceu.

A insurgência no Iraque contribuiu para que o número de mortes americanas chegasse a 2 mil. Cansados de receber os cadáveres de jovens soldados, a maioria dos americanos deixou de apoiar o conflito. Ganhou impulso nos EUA a discussão sobre quando seria o momento de as forças americanas voltarem para casa. Houve quem defendesse que as tropas deveriam abandonar o Iraque imediatamente. Tal posição foi defendida em novembro pelo deputado democrata John Murtha, veterano do Vietnã. O presidente Bush segue insistindo na necessidade do conflito e recusa-se a estabelecer um prazo para a saída dos americanos.

Bush em baixa

O Iraque é apontado como o principal motivo da queda da popularidade do presidente George W. Bush nos EUA. Quanto mais o tempo passa, mais aumentam as suspeitas de que o governo sabia que Saddam Hussein não tinha armas de destruição em massa. A alegação de que o Iraque as possuía -e de que tinha vínculos com Osama bin Laden- foi usada para justificar a invasão do país em 2003.

No front interno, o presidente também enfrentou problemas. Em primeiro lugar, o aumento do preço da gasolina. Pressionado pela instabilidade no Iraque, pelo aumento do consumo mundial (notadamente, da China), o preço do petróleo subiu muito em 2005, com o barril chegando à marca de US$ 70. O preço do combustível foi em grande parte associado aos distúrbios que os EUA mostram não serem capazes de conter no Iraque.

Em segundo lugar, foi duramente criticada a reação de Bush à catástrofe provocada pelo furacão Katrina nos Estados da Louisiana, Mississippi e Alabama. O furacão arrasou a histórica cidade de Nova Orleans e provocou a morte de aproximadamente 400 pessoas, sem contar os milhares de desabrigados que foram deslocados para diversas regiões do país, numa verdadeira diáspora. O presidente foi acusado de negligenciar o atendimento às vítimas da tragédia, compostas majoritariamente por negros pobres.

O furacão Katrina escancarou para o mundo a divisão racial e social dos EUA e mostrou uma certa insensibilidade do país para com seus excluídos, segundo os críticos de Bush. Os alertas de que o furacão seria devastador foram ignorados pelas pessoas que não tinham meios para se deslocar para áreas mais seguras. O presidente também foi acusado de lotear politicamente a agência responsável pelo socorro em situações como essa, a Fema (sigla em inglês para Agência Federal para Administração de Emergências), cujo diretor não tinha experiência no ramo e supostamente havia ganhado o cargo por ter colaborado com a campanha de Bush.

Como se não bastassem o Iraque e o Katrina, Bush sofreu com os escândalos que atingiram seu partido. Os líderes republicanos na Câmara, Tom DeLay, e no Senado, Bill Frist, foram tragados por acusações de corrupção, as quais respingaram no partido como um todo. Em novembro, um deputado republicano, Randy Cunningham, admitiu que recebia propinas.

Ainda no front político, o presidente norte-americano teve problemas com seus indicados à Suprema Corte. Com a morte do juiz William Renquist e a aposentadoria da juíza Sandra O'Connor, o presidente deveria apontar dois novos magistrados. Bush substituiu Renquist com o conservador moderado John Roberts, que passou a ocupar a presidência do tribunal máximo dos EUA. Já para substituir O'Connor, Bush indicou a conservadora Harriet Miers, que renunciou à indicação após ser criticada pelos próprios conservadores, desapontados com seu histórico de tolerância com o aborto. Bush então indicou o linha-dura Samuel Alito, cuja escolha promete aquecer a guerra cultural americana.

Ainda nos EUA, a oposição democrata amargou em 2005 a derrota na eleição para a prefeitura de Nova York, onde o atual prefeito, o bilionário republicano Michael Bloomberg, foi reeleito. Entretanto, os democratas obtiveram vitórias notáveis nas eleições para os governos dos Estados de Nova Jersey e Virginia. O partido tem a expectativa de recuperar o domínio do congresso americano nas eleições legislativas de 2006 devido à queda de popularidade de Bush e aos escândalos envolvendo políticos republicanos. Os democratas também consolidaram em 2005 nomes para a disputa presidencial de 2008, como a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton, muito popular entre a esquerda americana e em seu Estado (Nova York) e o governador da Virginia, Mark Warner, que conseguiu eleger o sucessor em seu Estado, um tradicional bastião republicano.

Gaza

Ao contrário da campanha americana contra o terror, o conflito entre israelenses e palestinos deu firmes passos no caminho da paz em 2005. O fato mais significativo foi a devolução da Faixa de Gaza ao controle palestino em agosto, após a desocupação das colônias israelenses do local. Esta desocupação, é bem verdade, não ocorreu sem uma forte resistência dos colonos judeus, que enfrentaram as forças israelenses durante vários dias, após o fim do prazo para que evacuassem o local.

Antes disso, porém, é preciso destacar a reaproximação política entre a Autoridade Palestina, do presidente Mahmoud Abbas, e Israel, do premiê Ariel Sharon. Abbas foi eleito presidente em janeiro, para suceder o mítico líder palestino Iasser Arafat, morto em novembro de 2004. Apesar de pertencer à mesma agremiação política de Arafat, a Fatah, Abbas repudiou vigorosamente o terrorismo palestino contra os israelenses, com o qual Arafat sempre foi leniente, e obteve a confiança de Israel.

Por sua vez, Sharon patrocinou uma política de concessões efetivas aos palestinos com a desocupação dos assentamentos judeus na Faixa de Gaza. O premiê israelense contrariou os conservadores de seu país e entrou em rota de colisão com os integrantes de seu próprio partido, o Likud, maior força da direita de Israel. No final do ano, Sharon abandonou o Likud e fundou um novo partido, ainda provisoriamente chamado de Responsabilidade.

Por outro lado, os israelenses reforçaram suas posições na Cisjordânia, outro território reivindicado pelos palestinos para a instalação definitiva de seu Estado. Israel desapropriou terras na Cisjordânia para estender a barreira em torno do maior assentamento judeu, Maale Adumim, e ligá-lo a Jerusalém, o que na prática dividiu o território dos palestinos, que já enfrentam o desafio de construir um Estado sem continuidade geográfica.

França

A revolta do Islã em 2005 não se restringiu à insurgência iraquiana ou ao ataque ao metrô de Londres. A morte de dois jovens franceses de origem argelina na cidade de Clichy-sous-Bois, na periferia de Paris, desencadeou uma inédita onda de protestos por toda a França.

Os adolescentes tentavam escapar de uma batida da polícia francesa, acusada de ser violenta com os imigrantes e seus descendentes. Os jovens tentaram se esconder em uma central de eletricidade e acabaram sendo eletrocutados, no dia 28 de outubro. Imediatamente, a morte dos jovens foi associada à violência policial e ao preconceito de que imigrantes e seus descendentes são vítimas na França. Durante praticamente todas as noites do mês de novembro, carros foram incendiados por jovens de origem árabe nas periferias das grandes cidades da França, em protesto contra a discriminação.

Negros e africanos de pele clara (estes oriundos principalmente da Argélia, ex-colônia francesa) sempre afirmam ter dificuldade para encontrar trabalho e ter acesso a serviços públicos como saúde, educação e habitação. Antes do que ficou conhecido como a "revolta dos subúrbios", a França deu mostra da situação de suas minorias com os incêndios de prédios degradados em Paris, habitados por imigrantes africanos, em setembro. Segundo o jornal Le Monde, os edifícios não apresentavam condições de segurança. Os incêndios de setembro causaram a morte de aproximadamente 40 pessoas, crianças em sua maioria.

A "revolta dos subúrbios" casou grande prejuízo material, mas não provocou um número elevado de vítimas fatais. Ainda segundo o Le Monde, quatro pessoas morreram durante os protestos, incluindo os dois adolescentes eletrocutados. A revolta foi pródiga em demonstrar a maneira como a elite política francesa vê a questão da imigração. O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, provável candidato à presidência do país em 2007, chegou a chamar de "escória" os moradores das periferias. Como resultado, seu prestígio entre o público francês aumentou, de acordo com pesquisas de opinião. Mais moderado, o presidente Jacques Chirac afirmou que todos os jovens que protestavam são também "filhos da República".

A despedida de Schröder

Ainda na Europa, o ano de 2005 marcou a despedida do poder do chanceler alemão Gerhard Schröder. Após seu partido, o Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão), ser derrotado em uma eleição regional, no Estado da Renânia do Norte-Westfalia em junho, o chanceler antecipou as eleições legislativas, que inicialmente só aconteceriam em 2006. Segundo especialistas, esse foi um grande erro tático do chanceler, pois, devido a impopulares reformas econômicas, sua gestão amargava baixos índices de popularidade. As eleições foram marcadas para setembro. Schröder lançou-se em uma campanha por muitos considerada impossível.

Do outro lado, estava a líder da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, bem à frente do chanceler nas pesquisas. A maioria dos analistas já dava com certa uma vitória esmagadora da CDU nas eleições e a ascensão de uma mulher como chefe do governo alemão.

O chanceler Schröder, entretanto, usou na campanha todo o carisma que lhe caracteriza e foi reduzindo progressivamente a vantagem de Merkel. A eleição terminou com uma ínfima vantagem do bloco liderado pela CDU, o que foi considerado uma derrota para os conservadores alemães, que chegaram a liderar nas pesquisas por margens superiores a 20 pontos percentuais.

Após quase um mês de impasse, já que nenhuma das coalizões que disputaram a eleição obteve a maioria das cadeiras no parlamento, dirigentes do SPD e da CDU formaram a "grande coalizão" entre os dois maiores partidos da Alemanha. Seria como, no Brasil, um governo formado por PT e PSDB. Como a CDU de Angela Merkel obteve o maior número de cadeiras no parlamento, ela foi designada nova chanceler do país. Mas o partido de Schröder continua no governo.
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