Bezerra da Silva
O sambista Bezerra da Silva ensinou ao Brasil que malandro é malandro e mané é mané. Maior ícone do 'sambandido' ao lado de figuras como Dicró e Moreira da Silva, Bezerra narrava a realidade dos morros e favelas do Rio em músicas como 'Pega Eu. Foi redescoberto pelo público quando o Barão Vermelho regravou 'Malandragem Dá Um Tempo' e passou a ser citado como ídolo por muitos no pop-rock nacional, como O Rappa e Marcelo D2. No Rio de Janeiro, de falência múltipla dos órgãos, aos 77 anos.
Arthur Miller
Autor de peças como "A Morte do Caixeiro Viajante" e "As Bruxas de Salem", o dramaturgo norte-americano Arthur Miller foi um crítico da realidade de seu país e do 'sonho americano'. Miller, que chegou a ser condenado por se recusar a colaborar com a caça aos comunistas nos anos 50, também ficou conhecido pelo seu casamento de pouco mais de quatro anos com a atriz Marilyn Monroe. Em Roxbury, de falência cardíaca, aos 89 anos.
Dorothy Stang
A missionária norte-americana Dorothy Mae Stang ficou conhecida por sua luta pela distribuição de terras para trabalhadores rurais na região amazônica, dominada por fazendeiros e grileiros. A religiosa, uma das fundadoras da Comissão Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foi assassinada com nove tiros por Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, condenado a 27 anos de prisão pelo crime. A motivação e os reais mandantes do homicídio ainda não foram totalmente esclarecidos. Em Anapu, assassinada, aos 73 anos.
Cabrera Infante
O escritor cubano Guillermo Cabrera Infante obteve reconhecimento mundial ao publicar 'Três Tristes Tigres', considerado sua obra-prima. Sua notoriedade decorre ainda de sua intensa campanha contra o regime de Fidel Castro. Em Londres, de septicemia, aos 75 anos.
Hunter S. Thompson
Criador e expoente máximo do chamado 'jornalismo gonzo', que diminuiu a distância entre o autor e o sujeito da reportagem, o escritor norte-americano Hunter S. Thompson tem como sua obra mais conhecida 'Medo e Delírio em Las Vegas', que foi transformada em filme em 1998. Também ficou famoso por se inflitrar na lendária gangue de motoqueiros 'Hell's Angels' nos anos 60. Thompson escolheu um jeito 'gonzo' de acabar com sua vida -cometeu suicídio com uma arma de fogo. Em Woody Creek, por suicídio, aos 67 anos.
César Lattes
Um dos maiores cientistas da história brasileira, o físico César Lattes teve como ponto alto de sua carreira a comprovação da existência da partícula méson pi. Além disso, contribuiu para o avanço da ciência ao estabelecer laboratórios e participar da criação de órgãos de fomento de pesquisa, como o CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Em Campinas, de parada cardíaca, aos 80 anos.
Terri Schiavo
Até março deste ano, Theresa Marie Schiavo era apenas mais uma paciente em estado vegetativo. A pedido do seu marido, a Suprema Corte dos EUA determinou que os aparelhos que a mantinham viva fossem desligados. A família de Terri recorreu, sem sucesso. A disputa jurídica sobre a vida e a morte de Terri Schiavo despertou uma discussão global sobre a eutanásia. Terri morreu 13 dias após a retirada do tubo de alimentação. Em Pinellas Park, de inanição, aos 41 anos.
Rainier 3º
O príncipe Rainier 3º, regente de Mônaco, foi o homem que transformou um decadente principado em um dos principais endereços de luxo e ostentação da Europa. Lembrado também pelo casamento com Grace Kelly, a estrela de Hollywood que se tornou princesa, Rainier soube, nos 55 anos em que comandou Mônaco, atrair milionários de todo mundo para seus domínios, amparado principalmente pela isenção fiscal. Em Mônaco, de insuficiência cardíaca e renal, aos 81 anos.
Palhaço Arrelia
"Como vai, como vai, como vai? Muito bem, muito bem, bem, bem!" Esse refrão, familiar a boa parte dos brasileiros, tornou-se a marca registrada de Waldemar Seyssel, o Arrelia, um dos maiores palhaços da história circense do país. Arrelia foi o primeiro palhaço a ter um programa de TV, 'O Circo do Arrelia', que ficou no ar por mais de 20 anos -do início dos anos 50 até 1974. No Rio de Janeiro, de pneumonia, aos 99 anos.
Jean Charles de Menezes
Um dia depois dos atentados terroristas de Londres, a imprensa mundial noticiou que a Scotland Yard, a polícia britânica, havia matado na estação de metrô de Stockwell um possível suspeito de envolvimento com os ataques. No dia 23 de julho, a polícia inglesa confirmou que o homem assassinado era Jean Charles de Menezes, brasileiro que trabalhava legalmente como eletricista e não tinha nenhuma relação com os ataques terroristas. A morte de Jean Charles teve repercussões mundiais. Em Londres, assassinado, aos 27 anos.
Miguel Arraes
O deputado federal Miguel Arraes foi um dos ícones da esquerda brasileira e seu maior expoente no Nordeste do país. Foi presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e por três vezes governou Pernambuco. Na primeira delas, foi deposto e preso pelo regime militar em 1964. Conseguiu um habeas-corpus e exilou-se na Argélia entre 1965 e 1979, quando voltou para o Recife beneficiado pela Lei da Anistia. Idolatrado no interior de seu Estado e considerado imbatível nas urnas, sofreu sua grande derrota poítica em 1998, quando foi vencido por seu ex-aliado Jarbas Vasconcelos na eleição para o governo de Pernambuco.
Simon Wiesenthal
Arquiteto por formação, Simon Wiesenthal tornou-se conhecido como "o caçador de nazistas". Judeu ucraniano, ele criou centros de pesquisa como o Centro de Documentação Judaica e o Centro Simon Wiesenthal, por meio dos quais buscava identificar criminosos de guerra nazistas para que fossem levados a julgamento. Entre as 'vítimas' de Wiesenthal está Franz Stangl, ex-comandante do campo de concentração de Treblinka. Em Viena, de causas naturais, aos 96 anos.
Apolônio de Carvalho
Fundador do PT, Apolônio de Carvalho esteve envolvido com a militância política muito antes de o partido nascer, em 1980. Chamado pelo escritor Jorge Amado de 'herói de três pátrias', Apolônio esteve na Intentona Comunista contra Getúlio Vargas em 1935, lutou na Guerra Civil Espanhola contra as forças de Franco e participou da resistência francesa contra os nazistas na Segunda Guerra. Criador do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, sofreu com o regime militar, que o prendeu e torturou em 1970. Exilado na Argélia e na França, voltou ao Brasil em 1979, com a anistia política. No Rio de Janeiro, de insuficiência respiratória, aos 93 anos.
Ronald Golias
Conhecido por seu personagem Pacífico, o paulista Ronald Golias foi um dos maiores humoristas brasileiros. Começou sua trajetória no rádio, onde foi descoberto por Manoel da Nóbrega, criador do programa de TV 'Praça da Alegria'. Sua consagração veio nos anos 60 com 'Família Trapo', onde trabalhou com Jô Soares e Ricardo Côrte Real. Na década de 80 ganhou seu próprio programa, 'O Bronco'. Em São Paulo, insuficiência múltipla de órgãos, aos 76 anos.
Helena Meirelles
Reconhecida em 1993 como uma das melhores violeiras do mundo pela revista norte-americana 'Guitar Player', Helena Meirelles não chegou a receber tanta deferência no Brasil. Apesar de animar festas com sua viola desde os dez anos, Helena só gravou o primeiro de seus quatro álbuns em 1994. Ícone da música pantaneira, traduzida em músicas como 'De Boiadas e Boiadeiro', dizia-se uma mulher forte, que nunca aceitou o domínio dos pais ou de um homem. Em Campo Grande, de parada cardíaca, aos 81 anos.
Emilinha Borba
Emilinha Borba foi um ícone dos anos dourados do rádio e uma das cantoras mais populares da música brasileira. Rival de Marlene na disputa do título de 'rainha do rádio', perdeu a eleição e ficou conhecida como a 'favorita da Marinha', por ter muitos admiradores entre os marinheiros. Mais famosa como intérprete de marchas carnavalescas, como 'Se Queres Saber', também gravou sambas, boleros e baiões e participou de filmes da Atlântica. No Rio de Janeiro, de infarto, aos 82 anos.
Rosa Parks
Ao não ceder seu lugar em um ônibus para um passageiro branco na cidade de Montgomery, no Alabama (EUA), a costureira negra Rosa Parks foi presa e multada, mas provovou uma reação na comunidade negra norte-americana, liderada por Martin Luther King, e garantiu seu lugar como a 'mãe do movimento pelos direitos civis'. Parks dizia que não sabia muito bem por que havia resistido a ceder seu lugar no ônibus, mas achava que era pelo desejo de ser tratada como um outro passageiro qualquer. Em 1999, recebeu do então presidente Bill Clinton a Medalha de Ouro do Congresso, a maior condecoração a um civil norte-americano. Em Detroit, de causas naturais, aos 92 anos.